terça-feira, 20 de janeiro de 2015

FMI reduz projeção de crescimento global e pede políticas expansionistas

terça-feira, 20 de janeiro de 2015 07:37 BRST
 
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PEQUIM (Reuters) - O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu sua projeção para o crescimento econômico global em 2015, e fez um apelo nesta terça-feira aos governos e bancos centrais a buscarem políticas monetárias expansionistas e reformas estruturais para sustentar o crescimento.
O crescimento global foi projetado em 3,5 por cento para 2015 e 3,7 por cento para 2016, disse o FMI em sua atualização do relatório "Perspectiva Econômica Global", reduzindo sua projeção em 0,3 ponto percentual para ambos os anos.
"Novos fatores sustentando o crescimento --preços menores do petróleo mas também depreciação do euro e do iene-- são mais do que compensados por forças negativas persistentes, incluindo os legados prolongados da crise e do crescimento potencial mais baixo em muitos países", disse o economista-chefe do FMI, Olivier Blanchard, em comunicado divulgado pela instituição.
O FMI alertou economias avançadas para manter políticas monetárias expansionistas para evitarem aumentos em taxas de juros reais uma vez que o petróleo mais barato aumenta o risco de deflação.
Se as taxas de juros não puderem ser reduzidas mais, o FMI recomendou buscar uma política expansionista "através de outros meios".
Os Estados Unidos foram o único ponto positivo em um relatório pessimista para as principais economias, com a projeção de crescimento em 2015 elevada para 3,6 por cento ante 3,1 por cento.
As perspectivas para economias emergentes foram em geral reduzidas, com as projeções para os exportadores de petróleo Rússia Nigéria e Arábia Saudita sofrendo os maiores cortes.
O FMI prevê que uma desaceleração na China provocará uma resposta de política mais limitada uma vez que as autoridades em Pequim estarão mais preocupadas com os riscos do rápido crescimento do crédito e investimento.
O FMI também vê que o Brasil crescerá menos de um quarto do que a América Latina e Caribe neste ano, e que sua recuperação não será das melhores em 2016.   Continuação...
 
 

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Pimentel, o escolhido

19/1/2015 9:05
Por Leandro Mazzini - de Brasília

Rep/ACS

Com a idade avançada – terá 74 anos em 2018 – e a saúde a cada dia mais comprometida – trata recaída do câncer no baço sigilosamente com medicamento forte – Luiz Inácio Lula da Silva começa a pensar desde já num sucessor da Era Dilma Rousseff se não tiver forças para se candidatar daqui a quatro anos. Seu sonho é voltar à Presidência e ficar mais oito anos. Mas não depende só dele.
Daí Lula revelar para os petistas mais próximos, há poucas semanas, que o escolhido para o Plano B é o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel. E tudo só depende do próprio governador. Caberá a ele fazer uma boa gestão no segundo maior colégio eleitoral do País que sua estrela ascenderá no partido, com as bênçãos do padrinho fundador. E da própria Dilma, de quem Pimentel é amiga e confidente de décadas.
Todo o cenário converge para o nome de Pimentel. Lula cansou das derrotas de Marta Suplicy e Aloizio Mercadante em São Paulo. Nomes novatos que surgiriam como trunfo o decepcionaram. Lindbergh Farias teve resultado pífio na eleição para o governo do Rio e é suspeito de figurar na lista da propina de Paulo Roberto Costa (ex-Petrobras). Alexandre Padilha foi um fiasco na disputa pelo governo de São Paulo e, na capital, o prefeito Fernando Haddad patina na reprovação popular.
Elevar Pimentel a presidenciável é estratégico também se o adversário for o ex-governador Aécio Neves. A possibilidade de derrotar o tucano pela segunda vez seguida em seu próprio Estado faz marejarem de felicidade os olhos de estrelados petistas.
Seca: Só reza forte salva
Tem gente que acredita, tem gente que não. Na dúvida, os mandatários ficam com a tradição de parcerias que a Fundação Cacique Cobra Coral mantém com o Ministério de Minas e Energia, governos de Estados, prefeitura do Rio e até outros países (Venezuela, na Era Chávez). Para quem não conhece, trata-se de um trabalho mediúnico da brasileira Adelaide Scritori, que recebe orientações do espírito Cacique. Faz chover ou não, dependendo do lugar. E dá certo, garantem clientes.
Só não deu em São Paulo, que, segundo a FCCC, não faz o dever de casa. Sim, obviamente, não só a reza forte ajuda, é fundamental ter a ação humana.
Segundo a assessoria, foi dada uma pausa na Operação Ilumina Brasil porque está na mesa do ministro de Minas e Energia Eduardo Braga a minuta de renovação do contrato do governo com a FCCC – não remunerado, para todos os casos. Edison Lobão seguiu à risca. José Sarney é cliente desde que presidente da República, quando a médium previu problemas no avião presidencial e ele deixou de viajar (A FAB, depois, descobrira uma peça falha numa turbina).
E pelo relato enviado à Coluna, sabem do que falam:
‘Estamos ajudando os Estados do Sudeste a sobreviverem à seca; Foi dado um ultimato ao (Geraldo) Alckmin (Governador paulista): se prosseguisse com o plano de avançar sobre as águas do (rio) Paraíba do Sul para socorrer o (sistema) Cantareira, a Seca voltaria. O caso ficou sub judice e o STF autorizou tal Aberração ambiental onde vai acontecer o que já ocorre com nosso Velho Chico…(rio São Francisco que sofre com a seca)’, diz a médium, através da assessoria, que completa com relato técnico.
‘Como o Estado do Rio e a Prefeitura têm o Registro Hídrico na mão (FCCC) e não querem se indispor com a União, estão pedindo água para o Rio não secar. Ocorre que as águas enviadas para a divisa de SP com o Rio (Serra da Bocaina) onde fica a nascente do Paraíba do Sul começaram a serem retidas pelo Alckmin em SP e não chegam ao rio PB do Sul’.
‘Foi aí que o cacique disse que enquanto o MME e o Planalto não se manifestarem com relação à renovação do convênio (Como sempre isento de ônus financeiro, mas não ambiental) teremos que mudar a estratégia anterior de levar chuvas através da divisa com SP, e elevar as precipitações em Minas Gerais’, disseca com autoridade.
E sentencia: ‘É que as chuvas que provocaram alagamentos em São Paulo e que entraram no rio Paraíba do Sul não vão chegar ao Norte do Estado do Rio nem melhorar o nível do PB do Sul; Todo o volume de água que entrou no rio PB do Sul vai ser contido pelas autoridades de São Paulo para compensar a situação crítica no sistema Cantareira. Este acréscimo de 10cm que houve no PB do Sul, especialmente em Campos, é de águas que chegam de Minas Gerais pelo rio Muriaé. Após subir estes 10cm, o nível está estabilizado e se não voltar a chover em Minas, certamente em seguida, o nível do Paraíba do Sul voltará a recuar’.
Em suma, acreditem ou não na entidade, a incompetência dos gestores públicos de anos traz uma certeza hoje: só reza forte ajudará o Rio e São Paulo contra a seca.
Ponto Final
Circula em Brasília a fictícia resposta da presidente Dilma para Marta Suplicy, após desabafo sobre o PT ao Estadão: ‘Relaxa e goza!’
 

domingo, 18 de janeiro de 2015

Ministério da Saúde amplia Programa Mais Médicos em 29 municípios de AL

Cidades e médicos têm até 28 e 29 de janeiro para confirmar participação.
Foram priorizados municípios em situação de extrema pobreza. 

Michelle Farias Do G1 AL

 

Otávia aproveitou a visita para conversar com os pacientes (Foto: Michelle Farias/G1) Edital vai abrangir 100% das vagas do Provab
(Foto: Michelle Farias/G1)
O Ministério da Saúde abriu uma nova seleção para o Programa Mais Médicos nesta sexta-feira (16). O processo contempla 1.500 prefeituras de municípios brasileiros, destas, 29 são de Alagoas. A novidade deste ano é que o edital abre oportunidade para a incorporação de 100% das vagas do Programa de Valorização do Profissional da Atenção Básica (Provab).
“A ampliação dá nova oportunidade a esses municípios que, por algum motivo, não puderam aderir ao programa. A iniciativa atende a reivindicação de cidades do país inteiro por nova chance de integrar ou ampliar o número de profissionais. O Mais Médicos tem papel fundamental no fortalecimento e consolidação da Atenção Básica e se complementa com o trabalho na área da formação médica e com obras de melhoria na infraestrutura”, disse o ministro da Saúde, Arthur Chioro.

Municípios e médicos terão até os dias 28 e 29 de janeiro para confirmar participação e efetuar a inscrição no sistema do programa (clique aqui para acessar o site). Estão aptas a aderir as prefeituras do Provab 2014, que encerra em fevereiro, e aquelas de maior vulnerabilidade econômica e social. Foram priorizadas, por exemplo, as cidades com 20% de sua população em extrema pobreza, com IDH baixo e muito baixo, localizadas no semiárido, Vales do Jequitinhonha, Mucuri e Ribeira e nas periferias de capitais e regiões metropolitanas. Também foi garantida expansão para os distritos indígenas.

Lista de municípios alagoanos
Anadia, Arapiraca, Atalaia, Branquinha, Cajueiro, Campo Alegre, Campo Grande, Delmiro Gouveia, Estrela de Alagoas, Feira Grande, Girau do Ponciano, Igaci, Japaratinga, Junqueiro, Limoeiro de Anadia, Maceió, Marechal Deodoro, Mata Grande, Matriz de Camaragibe,
Monteirópolis, Piaçabuçu, Poço das Trincheiras, Porto Calvo, Rio Largo, São José da Laje,
São Sebastião, Taquarana, União dos Palmares e Viçosa.
Branquinha, Alagoas (Foto: Glauco Araújo/G1)Médicos irão atuar em municípios de extrema
pobreza como Branquinha
(Foto: Glauco Araújo/G1)
Os médicos brasileiros continuam tendo prioridade na seleção. Só que agora, ao invés de uma, eles terão três oportunidades para escolher o município em que irão atuar. Na inscrição, cada profissional definirá até quatro cidades de diferentes perfis, conforme a sua prioridade. Os candidatos concorrem somente com aqueles que optarem pelos mesmos municípios e, quem não conseguir a colocação, terá acesso às vagas remanescentes.

A data e horário da inscrição do médico não serão mais considerados como critérios de seleção. Para a classificação na concorrência das vagas foram estabelecidas as seguintes regras: ter título de Especialista em Medicina de Família e Comunidade; experiência comprovada na Estratégia Saúde da Família; ter participado do Programa de Educação pelo Trabalho - PET (Vigilância, Saúde, Saúde da Família e Saúde Indígena); VER-SUS; do ProUni ou FIES. Como critérios de desempate serão considerados a maior proximidade entre o município desejado e o de nascimento e ter maior idade.

Outra novidade é que os candidatos brasileiros poderão escolher entre os benefícios do Mais Médicos ou 10% nas provas de residência do país. Caso todas as vagas não sejam preenchidas, o edital será aberto aos brasileiros que se formaram no exterior e, em seguida, aos profissionais estrangeiros.

Provab
Com a incorporação de 100% das vagas do Provab, o Ministério da Saúde quer assegurar às prefeituras permanência de médicos na Atenção Básica de suas cidades, uma vez que a iniciativa só dura um ano. Os profissionais do Provab poderão permanecer por mais dois anos, desde que continuem na unidade de saúde em que já atuam, garantindo a assistência à população.
Além dos especialistas em Medicina de Família e Comunidade, o programa também deve atrair os recém-formados, que geralmente se interessam pelo bônus de 10% na prova de residência, e os profissionais que decidirem por permanecer na Atenção Básica.

“O Provab foi criado em 2011 para fazer uma oferta de integração ensino-serviço, oferecendo também bolsa e especialização em saúde da família para esses médicos atuarem na atenção básica em áreas com maior necessidade de vulnerabilidade. Com a integração, a garantia de 10% pontuação para residência médica com um tempo determinado de um ano, agora será oferecida no Mais Médicos e será possível manter esses profissional por até três anos naquela comunidade, garantindo atendimento de qualidade”, destacou o secretário de Gestão do Trabalho e da Educação em Saúde, Hêider Pinto.

O período para que os médicos do Provab confirmem a permanência no Mais Médicos será de 21 a 23 de janeiro. No dia 10 de abril, caso existam vagas remanescentes, será aberta chamada para brasileiros formados no exterior e no dia 5 de maio para médicos estrangeiros.

Em 8 de junho, ocorrerá o módulo de acolhimento para esses médicos. Para dar continuidade da assistência à população serão lançadas, a cada trimestre, novas vagas aos municípios. Os municípios que atualmente não têm capacidade instalada poderão ser contemplados posteriormente.

sábado, 17 de janeiro de 2015


Direto de Brasília


Congresso nacional - 18-12-08
CÂMARA
A semana foi intensa no que diz respeito ao processo de disputa pela presidência da Câmara dos Deputados. Os dois principais concorrente, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e Arlindo Chinaglia (PT), desandaram a trocar “gentilezas”.
DISPUTA
A eleição será somente em fevereiro, mas até lá muita briga deve rolar. Chinaglia comparou Cunha ao ex-senador Demóstenes Torres, cassado por envolvimento com Carlinhos Cachoeira, insinuando envolvimento do colega com a Operação Lava Jato.
NÍVEL BAIXO
Cunha devolveu afirmando que Chinaglia “está baixando o nível” da campanha e cobrando do adversário que tenha “coragem” ao fazer acusações, acrescentando preferir não responder “ao baixo nível de alguém que critica o outro pelas costas”.
QUEREMOS
Ex-seguidores da ex-senadora e ex-candidata a presidente, Marina Silva, trocaram a luta pela criação da Rede Sustentabilidade pela fundação de outra legenda, denominada Queremos, inspirados no partido espanhol Podemos.
IGNORANDO
O assunto Marta Suplicy é coisa morta para o Palácio do Planalto e para o PT. Ninguém quer alimentar o que, na avaliação dos petistas, uma conjuntura favorável para a senadora se desligar do partido, via expulsão ou desincompatibilidade.
CAFETÃO
Acostumado a fazer declarações polêmicas contra aliados do governo, desta vez o deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO) encontrou resposta à altura, depois que afirmou que o ministro das Cidades, Gilberto Kassab, é “cafetão do Planalto”.
COMPOSTURA
Tudo porque Kassab anunciou que reorganizará o PL para reforçar a base de apoio a Dilma. O ministro disse que “não merece comentário algum”, mas classificou a declaração de Caiado “falta de educação e compostura incompreensíveis”.
CANABIDIOL
A liberação, pela Anvisa, da importação do canabidiol, com a sua retirada da lista de substâncias proibidas, foi festejada em todo o Brasil, inclusive pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), que a considerou como positiva.
GARANTIA
A Justiça já vinha garantindo, sucessivas vezes, acesso ao medicamento aos pacientes que necessitavam remédio, que assegura qualidade de vida a portadores de graves doenças, como a epilepsia grave.
GPS MATO GROSSO
– O ex-ministro da Agricultura, Neri Geller, além da presidência da Conab, também mira uma das cinco vice-presidências do Banco do Brasil.
- Geller tem o respaldo da direção nacional do PMDB, mas a possibilidade de presidir a Conab é por enquanto muito remota.
- Mato Grosso terá atenção especial no plano do governo federal para o escoamento da safra agrícola, que bateu o recorde de 202,2 milhões de toneladas no País.
- Para garantir o escoamento, o governo vai investir em diversas ações de infraestrutura e de apoio aos transportadores na rodovias.
SOBE – O custo de vida subiu menos para os consumidores da terceira idade, segundo pesquisa da Fundação Getúlio Vargas.
DESCE – A balança comercial começou 2015 no negativo. Até 9 de janeiro, o país importou US$ 983 milhões a mais do que exportou, segundo o MDIC.
FRASE DO DIA
“Esta é uma agenda definitiva para a sociedade brasileira. A sociedade já demonstrou que quer a reforma política a curto prazo. E a presidente Dilma já manifestou seu compromisso em satisfazer esse desejo da nação.”
Do ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, Miguel Rossetto.
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sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Dilma quer socorro à maior fornecedora de sondas da Petrobras


Preocupada com as dificuldades financeiras da Sete Brasil, maior fornecedora da Petrobras no pré-sal, a presidente Dilma teve uma reunião com os presidentes do BNDES e o Banco do Brasil no Palácio para tentar destravar empréstimos destinados a socorrer a empresa.
Segundo a Folha apurou, Dilma repassou a Luciano Coutinho (BNDES) e Aldemir Bendine (BB), sua "disposição e orientação" para buscar liberar recursos já aprovados ou em negociação com as duas instituições, cerca de R$ 10 bilhões.
Em dezembro, a presidente da Petrobras, Graça Foster, já havia pedido a ajuda de Dilma para acelerar os empréstimos para a Sete Brasil. De lá para cá, o BNDES chegou a programar a assinatura dos contratos duas vezes.

Alexandre Gentil/Divulgação
Casco de sonda da Sete Brasil, que tem entre os sócios Petrobras, Bradesco, BTG e fundos
Casco de sonda da Sete Brasil, que tem entre os sócios Petrobras, Bradesco, BTG e fundos
A reunião de Dilma com Coutinho e Bendine ocorreu no final da tarde de quarta-feira (14), no Planalto, para analisar principalmente como "resolver pendências" referentes a um empréstimo de US$ 3,5 bilhões (cerca de R$ 9,2 bilhões) para contratação de oito sondas.
Além desse crédito, Dilma discutiu também a concessão de um empréstimo-ponte de R$ 800 milhões por um consórcio de bancos, liderado pelo BB, para a Sete Brasil resolver seus problemas mais urgentes de caixa.
O Banco do Brasil não quer liberar o empréstimo de emergência sem que os contratos de longo prazo com o BNDES estejam assinados, para ter mais segurança de que terá o dinheiro de volta. O BNDES, por sua vez, vem exigindo novas garantias a cada reunião.
A Sete foi criada para construir e alugar 28 sondas de perfuração para Petrobras, um projeto de US$ 25 bilhões (R$ 66 bilhões). Surgiu da decisão do governo de usar o pré-sal para estimular a indústria naval. Ela tem como sócios a própria Petrobras, bancos como Bradesco, BTG Pactual e Santander, além dos maiores fundos de pensão de estatais do país.
Interlocutores de Dilma disseram à Folha que ela tenta socorrer a Sete Brasil para evitar a quebra de empresas e demissões no setor.
O comando da Sete Brasil está aflito com a situação financeira da empresa. As dívidas acumuladas até dezembro chegam a R$ 800 milhões e a empresa não paga os estaleiros que contratou.
ANTICORRUPÇÃO
A Folha apurou que, para assinar o contrato de empréstimo com a Sete, o BNDES exigiu que a Petrobras e os estaleiros mandem uma carta garantindo que não houve nenhum ato ilícito durante os processos de licitação.
É a chamada "carta de conforto", mecanismo adotado nos casos em que o banco considera que o risco é maior. A cláusula prevê que os contratos podem ser cancelados caso apareçam irregularidades.
Boa parte dos estaleiros contratados pela Sete pertence a construtoras envolvidas no escândalo de corrupção da Petrobras. Além disso, o primeiro diretor de operações da companhia foi Pedro Barusco, que confessou ter recebido propina quando era gerente da estatal e fez um acordo de delação premiada em troca de uma punição mais leve.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Eleição de Tancredo completa 30 anos e continua influenciando política

Agência Brasil
Há 30 anos, em 15 de janeiro de 1984, o Congresso Nacional elegia Tancredo Neves primeiro presidente civil do Brasil após 20 anos de regime militar. O fato é considerado um dos mais importantes da história recente do país e influencia o modelo de democracia brasileiro até hoje, na opinião de estudiosos e políticos.
“Hoje estamos vivendo o aniversário de 30 anos do fato político mais importante da história do Brasil”, define o senador Pedro Simon, que já estava na vida pública, no antigo MDB, partido de Tancredo, quando a eleição aconteceu.
Para Simon, esse é o fato mais importante porque foi o primeiro que partiu de um movimento popular, o das Diretas Já, e obrigou o regime militar a ceder. Segundo ele, em outros eventos históricos importantes, como a independência, a Proclamação da República ou a criação da Consolidação das Leis do Trabalho, a iniciativa partiu de quem já estava no Poder e não foi motivada por levantes populares. “O movimento que teve a participação do povo, que o povo fez, que o povo lutou e é obra do povo é o das Diretas Já. Foi nesse movimento que começou”, avalia.
Mozart Viana, secretário-geral da Mesa Diretora da Câmara, já trabalhava na Casa quando Tancredo Neves foi eleito. Ele concorda com Simon sobre a importância do Movimento das Diretas Já para que um presidente civil fosse o escolhido em 1974. “Ali os militares perceberam que teriam que fazer a transição, e não seria mais possível manter o regime”, pontua.
Próximo a se aposentar, Mozart ainda se lembra como era o clima nos corredores da Câmara nos dias que antecederam a escolha de Tancredo. “Como as eleições diretas perderam por poucos votos – apesar de o Congresso ter sido sitiado no dia da votação, e os militares terem cercado o prédio, a emenda Dante de Oliveira perdeu por pouquíssimos votos –, isso fortaleceu a oposição. Então, houve migração de muitos deputados da base aliada na época para a oposição. E foi isso que permitiu a eleição do doutor Tancredo”, recorda.
Na avaliação do sociólogo e professor da Universidade de Brasília Elimar Nascimento, a eleição de Tancredo Neves foi fruto de um “pacto conservador”. Segundo ele, os mais moderados da oposição conseguiram ampliar o diálogo com os mais moderados da situação e alcançaram um acordo que propiciou a chapa com Tancredo e Sarney. “A eleição de Tancredo significou a forma possível, naquela época, de sairmos da ditadura militar por meio de um pacto entre os mais moderados. Foi uma saída do regime militar de maneira conservadora”, avalia.
Segundo o professor, esse pacto influencia a forma de fazer política no Brasil até hoje, porque em nome da democracia propiciada por ele, todos os partidos relevantes que vieram posteriormente acabaram deixando de lado, cedo ou tarde, posturas excessivamente à esquerda ou à direita, e se tornaram mais moderados para evitar rupturas.
“A vitória da dinâmica da negociação conservadora obrigou, mesmo os partidos mais à esquerda, como o PT, a aceitarem suas regras para ter acesso ao Poder”, afirma. “O que a dinâmica conservadora fez? Esvaziou a esquerda e obrigou os partidos a caminharem para o centro”, completa.
Elimar Nascimento exemplifica a influência do pacto conservador nas políticas atuais por meio do Bolsa Família. Ele recorda que o programa foi feito a partir de outros quatro já existentes, entre eles o Bolsa Escola, que condicionava a concessão da bolsa à permanência das crianças na escola, e era tocado pela Secretaria de Educação do Distrito Federal.
“O Bolsa Escola era um programa educacional para que as crianças fossem mantidas na escola e tivessem melhores condições de inserção no mercado de trabalho, posteriormente. Quando o Bolsa Família foi criado, ele não foi para o Ministério da Educação, e sim para o da Assistência Social, é um programa de assistência. E isso se mostra importante, de tal maneira, que influenciou no resultado das últimas eleições. Nada mais liberal”, comenta o professor.
Para Nascimento, “o PT se mostrou um partido tancredista” quando optou pela negociação com outros partidos ideologicamente diversos, em busca de uma coalizão. A negociação em busca de acordos era uma característica típica do presidente eleito pelo colégio eleitoral de 30 anos atrás.
Tags: eleição, MINAS, nova, república, tancredo

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Lula está nas mãos de Dilma

Ex-presidente depende mais da presidente do que ela dele
Ricardo Noblat
       
Nem sempre o ano novo começa em 1º de janeiro. O ano político de 2015 começou, de fato, ontem, com a entrevista da senadora Martha Suplicy à jornalista Eliane Cantanhede, de O Estado de S. Paulo.

É necessário digeri-la bem para acompanhar a luta surda entre a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula pelo controle não só do PT como dos seus principais aliados com vistas à eleição de 2018.
Lula quis suceder Dilma a partir deste ano. Dilma não deixou, e se reelegeu. Uma parte do PT, possivelmente a maior, quer Lula candidato à vaga de Dilma na eleição presidencial de 2018. Dependerá outra vez de Dilma. 
Na montagem do seu novo governo, ela deu um chega para lá em nomes indicados por Lula ou a ele ligados. Por ora, Aloizio Mercadante, chefe da Casa Civil da presidência da República, parece contar com a preferência de Dilma para sucedê-la.
Lula a tudo observa sem adiantar suas pretensões.
Lula precisa mais de Dilma do que ela, no momento, precisa dele. Precisa que ela seja bem-sucedida. Se não for, a conta do seu fracasso lhe será debitada. E com razão.

Não foi Lula que inventou a história de Dilma, “a excepcional gestora?” Uma gestora até melhor do que ele? Não foi Lula que pregou: “Votem na mulher”? E não foi a ideia da “mulher de Lula” que atraiu os milhões de votos que em 2010 elegeram Dilma e derrotaram José Serra, do PSDB?

E então? Não bastará que ela governe bem. É preciso também que o apoie.

Agamenon Magalhães, governador de Pernambuco nos anos 50 do século passado, dizia que “ninguém governa governador”. Ninguém preside presidente. A não ser que ele seja um “banana”.

Dilma pode ser tudo, mas uma banana não é. Foi capaz de se impor a Lula e barrar seus passos no caminho de volta à presidência. Resistiu à pressão de Lula para que mudasse sua equipe econômica no segundo semestre de 2013.

Se tivesse cedido, Lula poderia tê-la atropelado, saindo candidato. Mudou a equipe agora. E escalou quem quis.

Dilma só precisará de Lula se por acaso for mal e enfrentar problemas com as ruas. “Lula está fora, totalmente fora”, comentou Martha. Mas ele ainda é o dono da chave dos movimentos sociais, todos dependentes dos favores do governo.
E é Lula, Dilma não, quem melhor transita entre os partidos que sustentam o governo dentro do Congresso. A insatisfação deles com a repartição de poder feita por Dilma só perde para a do PT lulista.
Se Dilma fracassar, Lula fracassará com ela pela absoluta impossibilidade de se desmarcar de sua criatura. Quem está, portanto, numa sinuca de bico é Lula e não Dilma.
O sucesso dela não será obrigatoriamente o sucesso dele. Mas o fracasso será, sim.
Enquanto isso, Mercadante espreita tudo de perto. E dá-se ao luxo de dizer que seu candidato à vaga de Dilma é Lula. Martha desmente que seja.
Lula acha que Mercadante sequestrou o governo. Martha detesta Mercadante, despreza Dilma e está magoada com o PT.
“Mercadante é inimigo. Rui Falcão, presidente do PT, traiu o partido. E o partido se acovardou ao recusar o debate sobre quem era o melhor [candidato] para o país, mesmo sabendo das limitações de Dilma”, espicaça Martha. “Já no primeiro dia [do segundo governo Dilma] vimos um ministério cujo critério foi a exclusão de todos que eram próximos de Lula”.
A senadora sente-se marginalizada dentro de um partido “cada vez mais isolado e que luta apenas pela manutenção do poder”. Pensa em deixá-lo. Talvez em breve.
Luiz Inácio Lula da Silva  (Foto: Divulgação)Luiz Inácio Lula da Silva (Imagem: Divulgação)