quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Youssef diz que pagava propina a mando de agentes políticos



  • 28/01/2015 19h05
  • Brasília
André Richter - Repórter da Agência Brasil Edição: Stênio Ribeiro
A defesa de Alberto Youssef disse hoje (28) à Justiça Federal que o doleiro não liderou o esquema que desviou recursos da Petrobras. Segundo o advogado Antônio Figueiredo Basto, Youssef não pode ser condenado por corrupção passiva, porque cumpria ordens de agentes políticos para fazer o pagamento de propina. Os desvios são investigados na Operação Lava Jato.
Em depoimentos de delação premiada, Youssef, que está preso, apontou os nomes de políticos que receberam propina. Em fevereiro, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, deve denunciá-los ao Supremo Tribunal Federal (STF). Os nomes dos políticos são mantidos em segredo de Justiça.
Em resposta à abertura de uma das ações penais contra Youssef, o advogado do doleiro disse que ele não atuou isoladamente, e não tinha poderes para favorecer ninguém dentro da Petrobras. "Sua função era fazer o dinheiro chegar aos corruptos e irrigar contas de partidos políticos, conforme ele mesmo informou em seu interrogatório. Podemos afirmar, sem qualquer margem de erro, que as propinas somente existiram por vontade dos agentes políticos", alega a defesa.
Antônio Basto também informou que os acordos entre agentes políticos e as empreiteiras não tinham participação de Youssef, que atuava na fase final, na distribuição da propina. Segundo a defesa, o dinheiro desviado da Petrobras foi usado para financiar campanhas políticas "no Legislativo e Executivo".
"Agentes políticos das mais variadas cataduras racionalizaram os delitos para permanecer no poder, pois sabiam que, enquanto triunfassem, podiam permitir e realizar qualquer ilicitude, na certeza de que a opinião pública os absolveria nas urnas", diz o advogado.
Na petição, a defesa compara o esquema investigado na Lava Jato com a Ação Penal 470, o processo do mensalão.
"Embora esse projeto de poder não seja novo, haja vista já ter sido implementado antes em outros órgãos públicos, conforme restou provado no julgamento da Ação Penal 470/MG, conhecida como [processo do] mensalão¸ no caso vertente foi superlativo, quer pelo requinte dos malfeitos, quer pela audácia e desmedida ganância dos agentes políticos que, incrustados no poder, fizeram movimentar a máquina pública para atender suas exigências, desviando valores vultosos da maior empresa do país, a Petrobras" - argumenta Basto.


quarta-feira, 28 de janeiro de 2015


André Richter - Repórter da Agência Brasil – A Polícia Federal (PF) abriu mais dez inquéritos para investigar empresas suspeitas de participar do esquema de corrupção em contratos com a Petrobras. Por determinação do delegado Eduardo Mauat, chefe da investigação da Operação Lava Jato, a PF vai investigar possível envolvimento de diretores e funcionários nos desvios.
De acordo com a PF, serão investigadas as empreiteiras Andrade Gutierrez, Setal Engenharia, MPE Montagens e Projetos Especiais, Alusa Engenharia S/A, Promon Engenharia, Techint Engenharia e Construção S/A, Skanska Brasil, GDK, Schahin Engenharia e a Carioca Christiani Nielsen Engenharia.
Na última fase da Operação Lava Jato, executivos das empreiteiras Engevix, OAS, Galvão Engenharia, Mendes Júnior, Camargo Correa e UTC Engenharia se tornaram réus em ações oriundas das investigações da PF. De acordo com depoimentos de delação premiada, as empresas são acusadas de formação de cartel em contratos com a Petrobras.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Nevasca atinge nordeste americano e paralisa Nova York

Tempestade de neve provocou interrupção do trânsito e do metrô na maior cidade dos Estados Unidos. Tormenta afeta 30 milhões de pessoas na região

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Tempestade de neve cai sobre a Times Square, em Nova York
Tempestade de neve cai sobre a Times Square, em Nova York - Mike Segar/Reuters

Uma enorme nevasca atinge o nordeste dos Estados Unidos desde a noite desta segunda-feira, paralisando Nova York e afetando cerca de 30 milhões de pessoas. Sete Estados da região declararam estado de emergência por causa da tempestade e os habitantes foram aconselhados a permanecerem dentro de suas casas. Meteorologistas esperam um acúmulo de até 50 centímetros de neve.

Leia mais: Empresas aéreas cancelam voos entre Brasil e Nova York

"Esta será, provavelmente, uma das maiores tempestades de neve na cidade de Nova York", advertiu o prefeito de Nova York Bill de Blasio na noite de segunda. Desde as 23h locais (2h de Brasília desta terça), o trânsito nas ruas da cidade foi interditado – apenas veículos de emergência podem circular. O metrô nova-iorquino, que normalmente funciona 24 horas por dia, não vai funcionar. As aulas nas escolas estão suspensas até segunda ordem. Ao todo, cerca de 6.500 voos foram cancelados. Em Boston, outra metrópole da região, a circulação de carros nas ruas também foi proibida. O Estado de Connecticut tomou a mesma medida.

A força da tempestade de neve começou a ser sentida no fim da noite de segunda-feira. Meteorologistas esperam que a nevasca dure até a manhã desta terça (tarde no Brasil). A tormenta deve provocar rajadas de vento de até 100 quilômetros por hora, contribuindo para uma sensação térmica ainda mais baixa do que os 3 graus negativos registrados em Nova York.

NBA e ONU – A tempestade também provocou o adiamento de dois jogos da NBA. O New York Knicks enfrentaria o Sacramento Kings no Madison Square Garden, enquanto o Brooklyn Nets receberia o Portland Trail Blazers no Barclays Center, no bairro do Brooklyn. A paralisação afetou até a sede das Nações Unidas, que suspendeu reuniões que estavam programados para segunda e terça, incluindo um ato para lembrar os 70 anos da libertação de Auschwitz.

(Com agência EFE)

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Abelhas atacam e matam esportistas no Rio Grande do Sul

Foto:Reprodução
Grupo realizava rapel quando foi atacado em uma área de mato e morros próxima de uma propriedade batizada de Refúgio Verde 
Duas pessoas morreram e cinco ficaram feridas durante a prática de rapel, no interior do Rio Grande do Sul, entre este sábado (24) e ontem.
O grupo estava em uma área de mato e morros próximo de uma propriedade chamada Refúgio Verde, na localidade de Barra do Ouro, no interior do município de Maquiné (128 km de Porto Alegre), no Litoral Norte. Conforme o site UOL, os aventureiros teriam sido atacados por abelhas e caído.
Maicon Silva da Silva e Luciano de Souza, que sofreram pequenas escoriações na queda, conseguiram andar por 12 horas durante noite e madrugada até encontrar moradores da região e pedir ajuda. No local, não há sinal de telefonia celular e os rádios dos serviços de emergência funcionam com dificuldade.
BOMBEIROS
A dupla conseguiu acionar os Bombeiros, que chegaram de helicóptero ao local onde os outros cinco permaneciam. Paramédicos constataram a morte de dois deles, cujas identidades ainda não foram confirmadas.
A reportagem do UOL afirma que os feridos foram resgatados e levados a hospitais da região, nas cidades de Capão da Canoa e Tramandaí. Eles apresentam desde pequenos ferimentos até importantes fraturas, como de fêmur. Um deles recebeu cerca de 150 picadas de abelha.

domingo, 25 de janeiro de 2015

Doleiro pode levar R$ 10 mi se ajudar a recuperar desvios da Petrobras


O crime pode não compensar, mas, sabendo negociar, dá para sair dessa vida milionário. É o que pode acontecer com o doleiro Alberto Youssef, tido como um dos principais operadores do esquema da corrupção na Petrobras.
Se ele for extremamente eficiente na recuperação de recursos desviados de contratos da estatal, pode acumular milhões como recompensa pela ajuda dada ao Ministério Público Federal e à Polícia Federal.
Para ganhar R$ 10 milhões, por exemplo, ele teria que ajudar a recuperar R$ 500 milhões desviados. A taxa de sucesso prevista no acordo de delação premiada do doleiro é de 2% sobre os valores recuperados.
"É com essa estimativa que nós trabalhamos. O Alberto conhece muito bem o caminho do dinheiro nos paraísos fiscais", afirma o advogado Antonio Figueiredo Basto, que defende Youssef e costurou o acordo com os procuradores da Operação Lava Jato.
Segundo Figueiredo Basto, o acordo de Youssef é o único entre os nove assinados na Lava Jato que tem uma cláusula de performance ou taxa de sucesso.
Se cumprir integralmente o acordo, Youssef perderá bens que valem R$ 40 milhões –valor da multa estipulada pelos procuradores pelos crimes que praticou.

Reprodução
O doleiro Youssef na carceragem da PF
O doleiro Youssef na carceragem da PF
Entre outros bens, ele perderá um hotel em Porto Seguro (BA) e participações em outros hotéis em Aparecida (SP), Jaú (SP) e Londrina (PR). Ficará também sem outros dois imóveis e sem três carros de luxo –um Volvo CX 60 blindado, um Mercedes Benz CLS 500 e um Tiguan blindado.
Ele também perderá R$ 1,8 milhão que a PF encontrou no seu escritório em São Paulo.
Figueiredo Basto diz que se inspirou em acordos americanos para propor a cláusula de performance. "Esse tipo de cláusula existe no mundo inteiro, nos países que têm os melhores modelos de combate à corrupção, como os Estados Unidos". Segundo ele, o próprio nome do instituto (delação premiada) já contém a noção de que o criminoso "vai ganhar algum prêmio no final do processo".
Renato Silveira, professor titular de direito penal da Faculdade de Direito da USP, porém, vê problemas com esse tipo de cláusula. "Acho incompatível esse tipo de prêmio porque não existe recompensa a ser ofertada pela Justiça ou pelo Ministério Público no Brasil", afirma Silveira.
Nos EUA, frisa o professor, a recompensa é prevista em lei e tem uma tradição jurídica que remonta ao século 19.
Esse tipo de cláusula, segundo ele, deve gerar uma polêmica jurídica após a conclusão da Operação Lava Jato porque não há um histórico sobre esses acordos no país.
A delação de Youssef foi homologada pelo Supremo Tribunal Federal, em 19 de dezembro. Na última quarta (20), o juiz Sergio Moro tornou público os termos do acordo.
Outro problema sobre a recompensa, segundo o professor, é a inexistência de jurisprudência sobre delação premiada no Brasil. Não há um histórico do que é aceitável ou não nesse tipo de acordo, ainda de acordo com Silveira.
O advogado de Youssef rebate as críticas do professor. "Se o Supremo já homologou o acordo é porque não há nada de inconstitucional nele", defende Figueiredo Basto.
Outro fato que precisa ser ponderado, segundo o defensor do doleiro, é o tipo de colaboração que Youssef prestou. "Sem as informações que o Alberto forneceu aos procuradores, a Lava Jato não teria chegado às empreiteiras e aos políticos".
Foi o doleiro que forneceu aos investigadores os nomes dos 11 executivos de empreiteiras que estão presos desde novembro em Curitiba. Também entregou uma lista que pode chegar a 60 políticos.
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sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

País terá "problema grave" se reservatórios chegarem a 10%, diz ministro

  • Brasília
Sabrina Craide - Repórter da Agência Brasil Edição: Luana Lourenço

O ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, disse hoje (22) que, se os reservatórios das hidrelétricas chegarem a níveis menores que 10% da capacidade máxima, o país poderá ter "problemas graves", e o governo tomará as “medidas necessárias”, que podem incluir o racionamento de energia. Atualmente, os reservatórios do sistema Sudeste/Centro-Oeste estão em 17,43% de sua capacidade máxima e os da Região Norte estão em 17,18%.
“Mantido o nível que temos hoje nos reservatórios, temos energia para abastecer o Brasil. É óbvio que se tivermos mais falta de água, se passarmos do limite prudencial de 10% nos nossos reservatórios, estamos diante de um cenário que nunca foi previsto em nenhuma modelagem”, disse Braga. Segundo o ministro, esse é o limite estabelecido pelo Centro de Pesquisas de Energia Elétrica (Cepel) para o funcionamento das usinas hidrelétricas. "A partir daí, teríamos problemas graves, mas estamos longe disso", ressaltou.
Segundo o ministro, o país enfrenta atualmente uma situação hidrológica pior do que a verificada em 2001, quando foi decretado um racionamento de energia no país. Ele informou que o governo está monitorando o consumo de energia, e que não há previsão de outro pico de demanda, porque a temperatura está amenizando, o que reduz gastos com equipamentos como ar-condicionado.
Para o ministro, o consumidor brasileiro tem capacidade de administrar o gasto de energia. “Esperamos que, de forma inteligente, o povo brasileiro, que sempre soube cuidar da sua economia, possa definir qual o consumo ele quer, porque tem um preço a pagar por esse consumo, e ele está sendo informado sobre isso”, disse.
Braga minimizou a importação de energia da Argentina nos últimos dois dias. Ele explicou que a importação não foi feita por falta de energia no Brasil, e que havia energia sobrando no Nordeste, mas que, por limitações de transmissões, não tinha como ser levada para as outras regiões do país naquele momento. “Temos um intercâmbio desde 2006. É normal nós usarmos energia deles e eles a nossa. Isso sequer é tratado como compra de energia, é uma compensação de energia”. Na última terça-feira (20), o Brasil importou um total de 165 megawatts (MW) médios da Argentina para contribuir no atendimento do Sistema Interligado Nacional. Ontem (21), foram importados 90 MW médios. 

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

A força-tarefa capixaba

20/1/2015 9:31
Por Leandro Mazzini - de Brasília

Rep/ACS

Mal tomou posse e o governador do Espírito Santo, Paulo Hartung (PMDB), programou uma série de visitas a Brasília para tentar convênios com ministérios – e conferir a quantas andam os atuais, fechados pelo governo antecessor. Os capixabas passam por um momento crítico desde alguns anos atrás, quando perderam o Fundap, abastecido pelo ICMS diferenciado para importação que enchiam os cofres do Estado.
As coisas desandaram para uma gestão infeliz do antecessor Renato Casagrande – apoiado e lançado pelo próprio Hartung em 2010. O então senador, vindo de carreira brilhante no legislativo em Brasília também como deputado, saiu encorajado do gabinete em Brasília para o Palácio Anchieta. Numa tarde do início de 2010 no gabinete do Senado o repórter o encontrou animado com equipe enumerando as metas em cada setor. Mas no cargo enfrentou os mais variados problemas. Montou um time criticado até por aliados, veladamente, e encarou a pior crise de caixa com a perda das receitas. O Tesouro prometeu R$ 3,5 bilhões para compensar a perda do Fundap, a granel.
Enquanto Casagrande se contorcia para não perder apoio popular, perdia apoio político discretamente. Afastado do Poder desde que deixou o governo, o economista Hartung mergulhou os quatro anos em estudos de números do Estado e do governo. Ministrou aulas e palestras pelo Brasil (andava de mochila e calça jeans, para mostrar desapego ao Poder). Redescobriu um Espírito Santo em letargia político-econômica, elencou metas, e para surpresa do aliado no cargo anunciou-se postulante novamente ao Palácio. Até conquistar a vaga pela terceira vez, uma moqueca eleitoral foi servida na campanha entre ataques mútuos (inclusive pessoais) dos dois principais candidatos, outrora amigos e aliados.
Vencedor, PH – ou Imperador, como é chamado por aliados e desafetos nos bastidores porque imprimiu a marca de centralizador, embora com competência – agora parte para uma maratona de encontros com empresários, governadores e União para reinserir o Espírito Santo no cenário nacional. Conseguiu um time partidário de peso para suas incursões, em companhia da senadora eleita Rose de Freitas, do senador Ricardo Ferraço, e do deputado federal Lelo Coimba – todos do PMDB como ele. A despeito da força-tarefa, Hartung tem know-how para viradas. Suas duas gestões no Palácio Anchieta foram notabilizadas nacionalmente pelo equilíbrio das contas públicas e retomada de investimentos em variados setores, elevando o PIB capixaba. Em especial na queda da criminalidade na grande Vitória.
Hartung tem garantido a aliados e publicamente que não vai se candidatar à reeleição em 2018. Especula-se que seu indicado natural será Ferraço, que foi preterido por Casagrande em 2010. O ex-governador, que saiu ferido do combate e se dizendo traído, assumiu a presidência da Fundação João Mangabeira, do PSB, e viaja o País para unificar o partido para 2018. Deve disputar a prefeitura de Vitória ano que vem.
O tiro ecoa
Uma notícia de ‘trás para a frente’: Não há coincidência numa morte de um procurador de Justiça prestes a denunciar no Parlamento uma presidente da República e seu serviço secreto com suspeitas de ligações com ramo terrorista.
O procurador federal argentino Alberto Nisman foi encontrado morto com um tiro na cabeça, ontem pela manhã, dentro do banheiro de seu apartamento em Buenos Aires. A suposta arma do crime, um revólver calibre .22, estava ao lado do corpo.
Nisman notabilizou-se pela denúncia contra a presidente Cristina Kirchner, o serviço secreto e três políticos aliados dela, sobre suposta negociação com o governo do Irã, em prol da balança comercial entre as nações, para apagar provas de participação de terroristas no atentado de 1994 que deixou 85 mortos numa mesquita em Buenos Aires.
O corpo foi encontrado poucas horas antes de uma audiência pública no Congresso da Argentina, onde ele detalharia para toda a nação a denúncia. A polícia portenha já fala em suicídio. Muito, muito precoce solução.
A 2ª Guerra do Paraguai
Um País pobre que paga suas contas em dia na Organização das Nações Unidas se submete a isso. Voltaram no fim de semana, em um avião da ONU, 82 soldados do exército paraguaio que permaneceram um ano em Porto Príncipe na Missão de Paz do Haiti. O retorno veio sob megafone político com grade denúncia de senadora do Paraguai, que ouviu relatos de familiares dos militares de que passavam fome e sede lá. O Comando negou. Mais 82 soldados decolaram no mesmo avião.
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