quarta-feira, 23 de novembro de 2016

‘Tenho medo de morrer na própria aldeia’: como ‘cacique-modelo’ da Amazônia se tornou alvo de índios madeireiros


Enquanto percorria um trecho de terra na garupa da moto pilotada pelo filho Pilatos, de 25 anos, ambos perceberam que eram seguidos por um carro com três pessoas.
O veículo ultrapassou e bloqueou a moto. Um homem desceu. Com o dedo no rosto de Agamenon, avisou que ele e o irmão deveriam "tomar mais cuidado".
O irmão em questão é Almir Narayamoga Suruí, de 42 anos, chefe dos paiter-suruís e um dos principais líderes indígenas do Brasil.
O episódio na estrada é sinal do agravamento dos conflitos na TI (Terra Indígena) Sete de Setembro, localizada entre Rondônia e Mato Grosso e que nos últimos anos foi considerada a grande promessa de uso da tecnologia para proteger a floresta na Amazônia.
"Tenho medo de morrer. É um risco que corro a todo o momento. As pessoas acham que me matando vão poder explorar madeira numa boa. Sou alvo não só pelos madeireiros e garimpeiros, mas também pelos índios madeireiros", afirmou Almir à BBC Brasil.
Ele é um dos chefes indígenas mais viajados do país - já rodou por países distantes como Turquia e Indonésia, acumulou prêmios e distinções enquanto faz lobby por parcerias internacionais para preservar os recursos naturais na reserva dos paiter-suruís.
Image captionAlmir em ato contrta barragens na Amazônia em Paris em 2011 e em encontro com príncipe Charles da Inglaterra em 2009 no Reino Unido: chefe se tornou referência internacional em projetos de desenvolvimento sustentável na Amazônia
Nesse trabalho, costurou acordos com grandes empresas daqui e de fora, ONGs ambientalistas e políticos em Brasília.
Ganhou fama em 2008, quando fez um acordo com o Google para monitorar o desmate na terra indígena - índios ganharam celulares para registrar extração ilegal de madeira, capturar fotos e vídeos geolocalizados e fazer upload no Google Earth.
Em 2012, os paiter-suruís se tornaram a primeira nação indígena do mundo a fechar contratos nos quais eles faturam ao evitar desmatamentos em seu território - houve acordos com Natura e Fifa, que renderam ao menos R$ 1,2 milhão.
Nos últimos anos, contudo, discordâncias sobre o uso dos recursos reacenderam divisões históricas entre os suruís e situação saiu de controle na Sete de Setembro - uma área de 2,4 mil km² (ou duas vezes a cidade do Rio de Janeiro) e 1,3 mil índios espalhados por 25 aldeias.
O desmate ilegal dentro da TI Sete de Setembro saltou de 85 hectares em 2013 para 496 hectares (cerca de 500 campos de futebol) em 2015, segundo a ONG Idesam (Instituto de Conservação e de Desenvolvimento Sustentável da Amazônia).

Descontrole

A terra dos suruís (ou paiter, como se intitulam) fica em um dos principais focos do chamado "arco do desmatamento", região em que a fronteira agrícola avança em direção à floresta e responde pelos maiores índices de desmatamento da Amazônia.
Segundo Almir, hoje 15 das 25 aldeias da terra indígena estão envolvidas em exploração ilegal de recursos naturais. Cinco se opõem à presença de madeireiros e cinco estão divididas, afirma.
Image captionGarimpo (à esq.) e extração de madeira ilegais na reserva dos suruís; para Procuradoria, há risco de "descaracterização total" da área
"A floresta não precisa ser intocável, mas deve ser usada com planejamento e critério. Somos contra a forma como a madeira está sendo retirada", diz o líder dos paiter-suruís.
Índios contrários ao desmatamento estimam que 300 caminhões lotados com toras de madeira deixem a Sete de Setembro todos os meses - avaliação endossada pelo Ministério Público Federal, que acompanha o conflito na região.
As árvores mais procuradas hoje são cerejeira, cedro, ipê, caixeta, garapa e castanheira. O ipê é considerado o novo mogno, muito explorado nas décadas de 1980 e 1990 e hoje praticamente extinto na floresta.
"A situação é frágil e delicada. Madeireiros assediam índios com coisas que o Estado não consegue suprir, como saúde e educação, e com outras que o Estado nem supriria, como dinheiro para carros e motos. Algumas lideranças se acostumaram com essa renda, o que torna o problema histórico", afirma o procurador da República Henrique Heck.

Histórico

De fato, a relação dos suruís com a exploração ilegal de madeira não é nova.
Contatada pela primeira vez em 1969, essa tribo amazônica chegou a perder 90% da população para a tuberculose e o sarampo antes mesmo do nascimento de Almir, em 1974.
A terra indígena foi homologada em 1983, mas sofreu impacto, nos anos seguintes, de projetos de colonização e também invasões de pequenos agricultores.
Os suruís passaram então a ser conhecidos pela venda de madeira a extratores ilegais - situação que motivou divisões internas e desagregação social.
Image captionAlmir com conterrâneos suruís; até 1969, povo ainda vestia tangas, caçava com arco e flecha e conhecia pouco do Brasil moderno
Aos 15 anos, ainda com pouco conhecimento de português, Almir aceitou convite da Universidade Católica de Goiás para estudar Biologia Aplicada. Formou-se em 1992 e foi eleito chefe dos Gameb (marimbondos pretos), um dos quatro clãs paiter-suruís.
Casou-se, teve filhos (três, hoje com 22, 21 e 19 anos) e passou a planejar programas de agricultura sustentável em sua aldeia.
"Mas líderes tribais mais velhos - a maioria com menos de 40 anos, como efeito das pragas devastadoras dos anos 1970 - tinham outros planos", afirma, em referência aos interesses dos índios madeireiros, o jornalista americano Steve Zwick, que trabalha em uma biografia de Almir.
Ao final dos anos 1990 Almir Suruí já era um líder indígena conhecido em Rondônia. Gradativamente, começou a trabalhar em um plano para uso das terras suruís nos 50 anos seguintes.

Acordo

O acordo com o Google trouxe novas perspectivas para a tribo, e em 2009 Almir costurou um pacto entre os quatro clãs para encerrar o histórico ciclo histórico de exploração ilegal de madeira dentro do território.
Em 2012, a redução acumulada de desmatamento somava 511 hectares, o que permitiu as parcerias de venda de créditos de carbono.
Image captionAlmir Suruí em encontro em 2012 com Rebeca Moore, então gerente do Google Earth; parcerias internacionais não conseguiram evitar agravamento da situação em reserva
Foi o primeiro projeto em área indígena a explorar o chamado Redd (Redução de Emissões por Desmatamento), instrumento de compensação financeira pela manutenção de florestas tropicais e redução do gás carbônico responsável pelo aquecimento global.
A promessa de solução, contudo, começou a incentivar velhas (e novas) divisões. Alguns líderes suruís reclamaram da gestão, por Almir, do chamado Fundo Paiter, criado para administrar o dinheiro desses projetos. Apontavam demora na liberação, centralização de decisões e ausência de benefícios para as comunidades.
O chefe suruí nega as acusações. "O dinheiro foi repassado corretamente para as associações (dos clãs suruís) de acordo com os projetos, conforme foram apresentados para nós. Nossa prestação de contas é clara e transparente", afirma.
Em julho deste ano, a pedido do Ministério Público Federal, que atendeu a reclamações dos setores insatisfeitos, a Justiça chegou a bloquear a movimentação do fundo (que ainda tinha R$ 500 mil em caixa). Os recursos acabaram liberados após uma reunião entre os clãs.

Agravamento

A indisposição com o projeto levou parte dos suruís a retomar a exploração ilegal de madeira, ouro e diamante, bem como o arrendamento de terras para fazendeiros.
Segundo relatos coletados pela reportagem, índios madeireiros esperavam obter mais renda ao interromper o ciclo de desmatamento, o que não ocorreu.
Image captionNos pontos vermelhos em destaque, avanço do desmatamento na TI Sete de Setembro; 300 caminhões de madeira deixam área todos os meses, dizem índios
Resultado, segundo Almir: além de madeireiros e fazendeiros, há também garimpo na terra indígena. Com apoio dos índios, aliciados com armas e pagamentos mensais de até R$ 5 mil, os grupos estariam atuando em ao menos 20 pontos da área.
A suposta omissão dos órgãos públicos agrava a situação, afirma o líder. "Já fizemos várias denúncias e nada acontece. Dizem que não podem prender índio e os índios sabem disso."
Em razão desse quadro, a Procuradoria entrou na Justiça na semana passada contra Funai (Fundação Nacional do Índio), Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e os Estados de Rondônia e Mato Grosso.
A ação pede que os órgãos e governos sejam obrigados a realizar uma série de ações de fiscalização e apoio a atividades sustentáveis pelos índios, como coleta de castanhas.
Diz ainda que a "criminalidade recrudesceu" dentro da terra indígena em razão da "fiscalização acanhada dos órgãos públicos".
Aponta que "muitos indígenas foram cooptados pelas madeireiras" e que a "sensação de impunidade prepondera" no local, o que faz aumentar a adesão de índios à atividade ilegal.
"Se a situação continuar assim, há possibilidade de descaracterização total do território em médio prazo", afirma Henrique Heck.
A reportagem entrou em contato com os governos de Rondônia e Mato Grosso para comentários sobre a ação da Procuradoria, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem.
Em nota, a Funai disse ter conhecimento do cenário na Sete de Setembro e que tem feito fiscalizações na região. Reconheceu, contudo, que o "grande desafio" hoje é integrar esferas de poder e complementar monitoramento com políticas de sustentabilidade para índios e cidades do entorno.
"Sem alternativas de renda no entorno para as populações não indígenas, a pressão sobre as terras indígenas cresce cada vez mais, ameaçando os recursos naturais e a segurança dessas comunidades", informou o órgão.
Image captionLíder indígena se diz sitiado em sua própria região: 'Se é explorar madeira o que o meu povo quer, tudo bem.'

Medo

Enquanto isso, hoje o "cacique tecnológico" Almir Suruí está praticamente sitiado em sua própria região - mora com a família em Cacoal, cidade de 78 mil habitantes a 480 km de Porto Velho, vizinha da terra indígena Sete de Setembro.
Vive escoltado pelos irmãos, nunca viaja sozinho e evita ir ao supermercado ou sacar dinheiro sem estar acompanhado.
"Não gostamos que o Almir vá a nenhum lugar sozinho, nem dentro da nossa própria terra, porque há uma parte grande do nosso povo contra o trabalho dele. A gente também vive com medo de branco matar o Almir. Branco madeireiro, fazendeiro, garimpeiro. É muita preocupação", diz o irmão Mopiri Suruí, de 56 anos.
Almir chegou a contar com proteção de agentes da Força Nacional de Segurança entre 2012 e 2013, mas desistiu. "Era uma proteção e não uma solução. A solução é acabar com a exploração ilegal."
Com 98 quilos distribuídos em 1,68 m, fã de Raul Seixas e tubaína, torcedor do Flamengo, apreciador de camionetes e membro de 23 grupos do WhatsApp, ele diz ter desenvolvido gastrite ao conviver com ameaças de morte.
E às vezes ameaça desistir de tudo e se dedicar somente à família. "Se é explorar madeira o que o meu povo quer, tudo bem."
Por força da deterioração da situação na terra indígena que um dia foi modelo de recuperação sustentável, organizações internacionais articulam uma campanha, com abaixo-assinado e pedido de doações online, em que alertam para uma "situação de emergência" na terra dos paiter-suruís.
"Minha maior preocupação é que assassinem o meu filho. É muito difícil para mim como mãe. Ele vem trabalhando, defendendo a floresta para trabalhar de forma sustentável, mas nosso próprio povo prefere o dinheiro fácil da madeira e do garimpo. Meu medo é porque sei que há pessoas contra ele e o trabalho dele. Só Deus para me aliviar. Só Deus", diz Weytanb, 88 anos, mãe de Almir.
Image caption"Minha maior preocupação é que assassinem o meu filho", afirma Weytanb Suruí, de 88 anos

domingo, 6 de novembro de 2016

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segunda-feira, 27 de junho de 2016


Em busca de votos pelo impeachment, Temer vai a Goiás



BRASÍLIA — Em busca de votos a favor do impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff, o presidente interino Michel Temer intensifica o corpo a corpo com senadores e ontem deixou sua casa em São Paulo para comparecer ao aniversário do senador Wilder Morais (PP-GO), em Goiás.
Nas conversas com aliados, no trajeto entre a base aérea de Goiás e a fazenda de Morais, Temer fez uma avaliação sobre os votos para a aprovação do impeachment e orientou os líderes a mapearem dificuldades de indecisos e encaminhá-las para ele resolver.
Na festa, para cerca de quatro mil pessoas, Temer conversou com vários senadores ao som de músicas de Wesley Safadão e Aviões do Forró. Os senadores Eunício Oliveira (PMDB-CE), Ciro Nogueira (PP-PI), Sérgio Petecão (PSD-AC), José Medeiros (PSD-MT), Hélio José (PMDB-DF) e José Perrela (PR-MG) estavam presentes. Para a plateia, fez um rápido discurso. Homenageou o aniversariante e cumprimentou nominalmente todos os políticos importantes que estavam ali, inclusive o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB).
— Nessa nossa interinidade, o que estamos tentando fazer é unir o país. Os brasileiros têm que estar unidos para tirar o país da crise — discursou Temer. — Os brasileiros têm de ter essa alegria que estão expressando aqui.
Em referência ao aniversariante, o presidente interino lembrou a trajetória do senador que “nasceu na roça” e chegou ao Parlamento, e aproveitou para falar da sua origem.
— Eu sou filho de imigrantes (…) e cheguei aonde cheguei.
A visita ao aniversário do senador foi rápida. Em apenas 40 minutos, Temer já retornava ao avião que o levaria para Brasília. No trajeto de helicóptero para a fazenda de Morais, em Nerópolis, conversou com o líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira. Ouviu do parlamentar que, dos 27 governadores, 23 estão aplaudindo a iniciativa de negociar a dívida com os estados. Temer teria dito que foi uma coisa simples de fazer.
— Como Dilma não fez isso antes? Não recebia o povo, podia ter tentado encaminhar as coisas simples — disse Temer, segundo Eunício.
Ontem à noite, em entrevista ao jornalista Jorge Bastos Moreno, no programa “Preto no branco”, do Canal Brasil, o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, admitiu que houve concessões ao PP para que o partido apoiasse o impeachment de Dilma na Câmara. Em troca, a legenda ganhou um espaço maior no governo Temer. Coube ao PP, por exemplo, o Ministério da Saúde, uma das pastas de maior orçamento da Esplanada.
— A negociação foi feita considerando o momento. Se nós formos rememorar, havia um PP, o PR e o PTB, tinha um bloquinho que estava fechado com a presidenta que hoje está afastada. Houve uma negociação, virou a noite. E o presidente do PP (senador Ciro Nogueira) e o deputado Dudu da Fonte (PP-PE) numa noite viraram o bloco inteiro — contou Padilha. — Daí porque houve essa participação tão expressiva do PP (no governo).
Padilha negou pressão sobre os senadores, que confirmarão ou não o afastamento de Dilma. Segundo ele, o que tem ocorrido são conversas. Para Dilma ser afastada de vez, é preciso o voto de dois terços do Senado, ou seja, de pelo menos 54 dos 81 senadores.
e eu posso dizer é o que o presidente Temer é um político de excelência, e ele tem conversado muito — disse o ministro.
Após ter dado a entender que defendia o fim da Lava-Jato, Padilha afirmou que a operação prestou um grande serviço ao Brasil. Ele disse que esse e outros escândalos atrapalham a imagem dos políticos, mas negou que haja dificuldades no governo Temer por isso:
— O governo tem mais que dois terços na Câmara, mais que dois terços no Senado, votou tudo o que queria até agora; aprovou com larga folga. Portanto, não há crise política no governo, mas eu vejo um desgaste na imagem dos partidos e dos políticos.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/brasil/em-busca-de-votos-pelo-impeachment-temer-vai-goias-19588727#ixzz4Cn1giZHk 
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sábado, 14 de maio de 2016

Dilma deixa PAC com obras paradas, atrasadas e canceladas por todo o país


Com o afastamento do cargo, a presidente Dilma Rousseff deixa um legado com obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) paradas, canceladas ou atrasadas por todo o país.

Lançado em 2007, o programa era a maior plataforma de investimentos do país e, inicialmente, foi coordenado por Dilma quando exercia o cargo de ministra-chefe da Casa Civil do governo Luiz Inácio Lula da Silva.

No dia em que o Senado Federal votava seu afastamento, Dilma devolveu para o Ministério do Planejamento a gestão do programa. O novo ministro da pasta, Romero Jucá (PMDB-RR), ainda não se pronunciou sobre o destino das obras. 

O UOL listou e buscou informações de 12 das obras apresentadas pelo governo entre as mais importantes do país, que deveriam ter sido entregues, mas que estão em ritmo lento ou paradas.

Segundo o último balanço do Ministério do Planejamento, em 2015, governo federal, Estados, municípios e o setor privado investiram R$ 251,7 bilhões por meio do PAC.

Entre 2015 e 2018, a estimativa de investimento era R$ 1,04 trilhão, mas o governo federal reduziu o aporte em 2016 por conta da queda de arrecadação. Como os relatórios do PAC são semestrais, ainda não há dados da execução deste ano.

Em resposta ao UOL, o Ministério do Planejamento confirmou o corte de gastos e informou que, "para garantir os investimentos e ações prioritárias, o último contingenciamento foi seletivo. Foram preservados recursos para projetos de investimentos estruturantes e obras do PAC em fase de conclusão".

Em relação a um pedido de avaliação sobre os atrasos e paralisações de obras, a pasta se limitou a explicar que, "em 2015, o PAC executou investimentos da ordem de R$ 251,7 bilhões, o que representa 24,2% do total previsto para o período 2015-2018 (R$ 1,04 trilhão)." 

"A tendência também foi verificada no volume de ações concluídas em 2015, que totalizou R$ 159,7 bilhões, ou 23,8% do previsto até 2018 (R$ 672 bilhões). Sendo assim, e mesmo no momento atual, o PAC segue gerando resultados importantes e expressivos."
(Colaborou Vinicius Konchinski)

Sistema de Logística do Etanol (SP/GO/MT/MG) 
Inaugurado em agosto de 2013 pela presidente Dilma Rousseff, a primeira etapa do Sistema de Logística do Etanol deveria abria caminho para a construção de 1,3 mil quilômetros de dutos, 700 quilômetros de hidrovias e 15 terminais de coleta e distribuição em São Paulo, Goiás, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais com capacidade de transportar 20 bilhões de litros de álcool combustível por ano. Mas o projeto, de R$ 7 bilhões, parou nos 352 quilômetros dos dois trechos iniciais, entre Ribeirão Preto e Paulínia (SP) e entre Ribeirão Preto e Uberaba (MG) - cerca de 25% do traçado original. A empresa criada para construir e operar o sistema, a Logum, entrou em crise depois das investigações da Operação Lava Jato, pois tem como sócias Odebrecht, Petrobras, Copersúcar e Camargo Corrêa. Um financiamento de R$ 5,8 bilhões do BNDES foi suspenso justamente pelo envolvimento das empresas nas denúncias de corrupção: a Logum aparece na lista do doleiro Alberto Youssef como suspeita de favorecimento para a construção do primeiro trecho do etanolduto. O projeto deveria atravessar 45 municípios e chegar a Goiás e Mato Grosso do Sul, escoando produto para a maior região consumidora do país. A Logun informou que a conclusão do projeto foi adiada "até que a produção de etanol no país volte a crescer" e não comentou sobre as investigações da Operação Lava Jato.

Programa de Integração de Assentamentos Precários Informais - Morar Carioca 
Criado em 2010 com a meta ambiciosa de urbanizar 625 favelas da cidade do Rio, o programa tinha como objetivo investir R$ 8,5 bilhões até 2020 em parceria com o Minha Casa Minha Vida, Caixa e organismos financeiros internacionais, como BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), que iria investir R$ 150 milhões. A Prefeitura do Rio selecionou, por meio de concurso, 40 escritórios de arquitetura para apoiar o projeto, mas segundo a seção carioca do IAB (Instituto de Arquitetos do Brasil) apenas dez deles foram contratados de fato - dos quais apenas um está com projetos em andamento. As primeiras unidades habitacionais do Morar Carioca foram entregues em janeiro de 2015, mas de lá para cá o ritmo de construções desabou. Dos recursos previstos pelo BID, apenas US$ 55 milhões haviam sido liberados até 30 de abril - pouco mais de 30% do total. Das 200 mil famílias que deveriam ser beneficiadas nos ciclos 1 e 2 (até final de 2016), a Secretaria Municipal de Habitação e Cidadania informa que "70,5 mil domicílios em comunidades do programa estão em fase de regularização". O órgão não informa quantas unidades habitacionais já foram entregues e nem o volume de recursos investido até o momento.

Monotrilho São Paulo Linha 17 Ouro (SP)
A obra do sistema de transporte elevado de 17,5 quilômetros da capital paulista, orçada em R$ 5,5 bilhões, está oficialmente suspensa desde janeiro devido a desavenças comerciais entre o consórcio responsável e o Metrô de São Paulo. A obra vinha sendo executada pela Andrade Gutierrez, que desde o final de 2015, segundo a administração do Metrô, "desacelerou o ritmo e não vinha cumprindo os prazos estabelecidos". Houve rescisão unilateral do contrato, mas, segundo a construtora, os atrasos se devem "à falta de liberação de novas frentes de serviço", principalmente devido à escassez de recursos financeiros. O monotrilho, que deveria ligar o bairro do Morumbi ao aeroporto de Congonhas e ao metrô do Jabaquara, e fazer integração com quatro linhas do metrô, virou depósito de lixo e abrigo de moradores de rua depois da desaceleração do projeto, que vem sendo observada há mais de um ano. Anunciado em 2010 e previsto para operar já em 2012, o sistema de transporte, que deveria ligar o então estádio paulista da Copa do Mundo, Morumbi, ao terminal aéreo da área central de São Paulo não teve nenhum trecho entregue até agora. Em abril, o governo paulista decidiu "congelar" metade das 18 estações da linha para priorizar "os trechos que já possuem obras avançadas, antes de abrir novas frentes de trabalho", segundo nota da Secretaria dos Transportes Metropolitanos.

Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro - Comperj (RJ)
A construção do complexo, em Itaboraí, que deveria ter capacidade de refino de 330 mil barris de petróleo por dia em duas unidades independentes, está parada há cerca de dois anos também devido às investigações da Operação Lava Jato. No final de 2015 o canteiro de obra de implantação da Unidade de Processamento de Gás Natural (UPGN) foi igualmente paralisado. Pelo cronograma inicial da Petrobras, a primeira unidade do Comperj, com capacidade de 165 mil barris/dia, deveria estar em funcionamento em agosto deste ano. Orçado em US$ 8,5 bilhões, teria também unidades de processamento de primeira e segunda gerações petroquímicas. Em nota, a Petrobras prevê lançar licitações ainda em 2016 para prosseguir com as obras necessárias à operação da UPGN, "com objetivo de processamento e escoamento para o mercado de gás do pré-sal". Conforme divulgado no Plano de Negócios e Gestão (PNG 2015-2019), a Petrobras está em busca de alternativas para concluir as obras do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, "uma vez que os investimentos necessários para a finalização do projeto de refino desse complexo não estão incluídos no PNG da companhia".

Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto - Angra 3 (RJ)
A obra, prevista para estar concluída daqui a três anos, foi suspensa em setembro de 2015 devido à dificuldade de caixa da Eletronuclear, subsidiária da Eletrobras, provocada pelas investigações da Operação Lava Jato. O consórcio UNA 3, responsável pela execução do projeto junto a outro grupo de empresas, Angra 3, foi formado por Odebrecht, Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa e UTC - todas investigadas por supostos contratos fraudulentos na Lava Jato. O ex-presidente da Eletronuclear Othon Luiz Pinheiro da Silva está preso desde julho do ano passado acusado de participar de suposto esquema de pagamento de propina. Segundo a estatal, foram executados até agora 67% do cronograma da obra civil e 60% do cronograma de implantação do projeto. Já foram alocados R$ 5,9 bilhões no empreendimento e ainda são necessários outros R$ 5 bilhões para concluir o projeto. Em nota, a Eletronuclear confirma a paralisação da obra "em função das dificuldades de recursos para custeio dos bens e serviços nacionais". A empresa informa que "está discutindo com sua controladora e com o Ministério de Minas e Energia um plano em duas fases, prevendo ao longo de 2016 e no primeiro semestre de 2017 a retomada de parte das obras civis e a realização de pequenas montagens até o pleno equacionamento dos recursos para o empreendimento, o que permitiria a retomada da obra em ritmo acelerado no segundo semestre de 2017".

Segunda travessia do Guaíba (RS)
As obras da nova ponte do Guaíba, orçada em R$ 800 milhões, foram paralisadas no começo de maio. O Consórcio Ponte do Guaíba demitiu 500 trabalhadores -apenas 10 operários foram mantidos para cuidar da manutenção do canteiro de obras. Segundo o consórcio, a dívida da União com as empreiteiras chega a R$ 50 milhões. Além disso, nenhum valor dos R$ 65 milhões previstos no cronograma de 2016 foi liberado. A construção começou em outubro de 2014 com previsão de término três anos depois. Mas, quase dois anos após, apenas 35% do projeto foi executado. A paralisação da obra foi decidida no final de abril, junto com a interrupção de outros 60 contratos de construção em 31 rodovias federais do país. Em nota, o órgão vinculado ao Ministério dos Transportes diz que a interrupção faz parte "de um contexto amplamente conhecido de redução de disponibilidade de recursos orçamentários, que ainda deverá passar pela avaliação dos órgãos superiores de decisão". Não há previsão para a retomada do trabalho.


Ferrovias Norte-Sul / Oeste-Leste (BA/GO/MG/SP)
As obras de 682 km da ferrovia Norte-Sul e de 1.022 km da Oeste-Leste estão atrasadas, com 70% e 90% de execuções, respectivamente. Segundo a estatal Valec (Engenharia, Construções e Ferrovias S.A.), existem obras na extensão sul da Ferrovia Norte-Sul (Ouro-Verde/GO - Estrela D´Oeste/SP) e entre Ilhéus e Barreiras (ambas na BA), no caso da Oeste-Leste. A empresa confirmou que "houve redução no ritmo das obras por conta do contingenciamento de recursos", mas não deu detalhes do atraso no cronograma. A nova previsão de conclusão da Norte-Sul é julho de 2017. Já a Oeste-Leste tem previsão de término da primeira parte (Ilhéus/Caetité) em dezembro de 2017 e da segunda parte (Caetité/Barreiras) em junho de 2018. O custo previsto para as duas ferrovias é de R$ 11,5 bilhões.

Cidade Saneada (PE)
O programa Cidade Saneada foi eleito um dos 100 projetos mais importante do mundo pela consultoria internacional KPMG e prevê ampliação e melhoria do sistema de esgoto da Região Metropolitana do Recife. É o maior projeto de saneamento em execução do país. A obra começou em junho de 2013 e a meta é ter 90% de esgoto tratado nas cidades até 2025. Os investimentos previstos são divididos: R$ 1 bilhão pelo poder público e R$ 3,5 bilhões pelo privado. "Como a grande maioria dos recursos públicos vêm da União, a gente deixou de receber ou não recebe mais com regularidade. Por isso, a gente está com obras atrasadas e algumas até paralisadas. Estamos nesse momento em uma revisão de cronograma", informou o diretor de Novos Negócios da Compesa (Companhia de Saneamento de Pernambuco), Ricardo Barreto.

Transposição do rio São Francisco (PE/PB/RN/CE)
A transposição do rio São Francisco é a maior obra hídrica do país, ajudando 12 milhões de pessoas em Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte. Mas a obra acumula atrasos. Segundo o Ministério da Integração Nacional, em abril o projeto alcançou 86% de execução física nos dois eixos. São 325 quilômetros de canais, com 265 km já concluídos. Iniciada em 2007, a transposição deveria ter começado a levar água em 2010, mas a primeira estação foi entregue em agosto de 2015. Em maio de 2014, Dilma disse que houve atraso porque o governo subestimou a complexidade da obra. Por ser prioritária, é uma das que menos sofreram com corte de verba. Nos dois últimos anos, foram R$ 3,2 bilhões investidos.

Refinarias Premium I e II (CE e MA)
Apresentada como maior obra prevista no PAC 1, a Refinaria Premium 1, que seria erguida no Maranhão, teve o projeto cancelado em 2015. O motivo apresentado pela Petrobras foi a falta de viabilidade do projeto. Além dela, o projeto da refinaria Premium 2, no Ceará, também foi cancelada. Segundo a empresa, somente para preparação dos terrenos, foram investidos R$ 2,8 bilhões nos dois Estados. No caso do Maranhão, a obra estava orçada em R$ 41 bilhões --a mais cara do PAC. O cancelamento deixou prejuízos sociais e ambientais no Maranhão, onde a obra era esperada com alternativa para o crescimento econômico do Estado.

Refinaria Abreu e Lima (PE)
A Refinaria Abreu e Lima, no município de Ipojuca (PE), é uma das maiores obras da Petrobras na gestão petista e terá capacidade para processar 230 mil barris de petróleo por dia. Em 2015, teve início a operação do primeiro conjunto de refino dos dois previstos. A obra inteira, porém, deveria ter sido finalizada em 2010, mas ficou para 2018. O prazo estendido vale para a segunda etapa da obra, que teve a construção praticamente paralisada após a operação Lava Jato. No local há materiais e prédios semiprontos, mas abandonados. A Petrobras diz que vai realizar nova licitação para concluir a parte restante da obra e que possui equipe que cuida da manutenção das obras já iniciadas. O orçamento da refinaria saltou de R$ 8,4 bilhões para R$ 40,1 bilhões, segundo estimativa do Ministério do Planejamento. Balanço do PAC aponta que já foi realizado 92% da obra.

Ferrovia Transnordestina (PE/CE/PI)
Idealizada para ligar o sertão nordestino ao litoral, a ferrovia Transnordestina teve obras iniciadas em junho de 2006 e deveria estar pronta em 2010, segundo o primeiro cronograma. A obra, porém, é uma das mais atrasadas do PAC, com apenas 55% de execução até 2015, segundo balanço de dezembro. São 1.753 km que seguem em execução. A ferrovia terá dois ramais que passam pelos semiáridos cearense, pernambucano e piauiense com ligações até o litoral do Ceará e de Pernambuco. Procurada, a Transnordestina Logística S.A., empresa privada responsável pela execução da obra, informou que não iria dar detalhes sobre a obra. Segundo reportagem do Jornal do Commercio, já foram liberadas à obra R$ 6,1 bilhões, sendo R$ 3 bilhões aportados pela Sudene (Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste). A obra tem investimento previsto de R$ 11 bilhões.

Veja as demais fotos através deste link :  http://noticias.uol.com.br/politica/listas/dilma-deixara-pac-com-obras-paradas-atrasadas-e-canceladas-por-todo-o-pais.htm

Postado por: Ygor I. Mendes

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Ministério de Michel Temer aumenta participação congressistas



Presidente da Câmara por três administrações e tido como conhecedor dos bastidores legislativos, Michel Temer anunciou nesta quinta um ministério composto em sua maioria por deputados federais e senadores.
O protagonismo frisado em seu vocábulos na primeira manifestação ao assumir o poder se materializou na tinta da caneta presidencial.
Dos mencionados, 13 são congressistas. Isso encarna 57% da nova formação da Esplanada, que agora vai ter 23 pastas .
Admirara-se deputados e senadores de o pmdb, psdb, pp, dem, pps, pv, ptb, pr e psb.
O percentual encarna o triplo com que Dilma Rousseff começou o seu segundo mandato, em 2015, com 7 congressistas nas 39 cadeiras.
Dilma Vana Rousseff é uma economista e política brasileira, filiada no Partido dos Trabalhadores e presidente suspensa do Brasil.
Com o agravamento da crise e a progressão de sua enfraquecimento política, a petista cedeu várias áreas do governo à Câmara e ao Senado, mas a medida não conseguiu conter a onda que redundou em seu afastamento.
Antes um espécie de setor vinculado à presidência da República, o GSI vai ganhar status de ministério. Em compensação, a AGU vai perderá o título, que tinha durante o governo petista.
Um senado é uma assembleia deliberativa, em muitos casos a câmara alta de uma legislatura ou parlamento bicamarais.
No discurso em que deu posse a seu ministério, o presidente interino deu o sinal do protagonismo que pretende dar à interlocução com o Legislativo, local onde pretende aprovar reformas e de onde saiu a dresoluçãoque lhe alçou ao comando do país. “Desejamo uma base parlamentar sólida, que nos permita conversar com a classe política e também com a sociedade. É preciso governabilidade.”
Aliados do peemedebista avaliam que, em linhas gerais, sua base inicia mais ou menos com o tamanho dos votos pró-impeachment: 367 das 513 cadeiras da Câmara e 55 das 81 do Senado.
De acordo com o líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira , o suporte a Temer pode chegar a 60 senadores nos próximos dias.
Bebeu-se resolução ronaldo Nogueira de Oliveira, ministro de o Trabalho A em as 6h30, após uma sessão de quase 21 horas em o plenário de o Senado.Teremos dois presidentes, uma eleita com 54 milhões de votos e outro, ilegítimo, sem voto nenhum. Terá luta no Parlamento e nas ruas”, declarou a deputada Luciane Santos .
Romero Jucá , que assumiu o Planejamento declarou que “o Senado entregou a mudança, agora todos têm que ajudarRomero Jucá , que assumiu o Planejamento declarou que “o Senado entregou a mudança, agora todos têm que auxiliar a fazer essa mudança”. Romero Jucá , que assumiu o Planejamento é o presidente do PMDB. Romero Jucá , que assumiu o Planejamento é o presidente do PMDB.
Apesar de esses números serem suficientes para aprovação de mudanças na Constituição , é certo que haverá dissidências, muitas resultantes de demandas não atendidas na montagem da gestão.
A soma de parlamentares dos partidos que tendem a apoiar Temer é de 371 cadeiras na Câmara e 61 no Senado, mas governo e congressistas sabem que são poucas as legendas que marcham 100% em determinada direção.
Dilma, por exemplo, teve em seu segundo mandato uma extensa base de suporte no papel. Na prática, padeceu derrotas seguidas patrocinadas pela coalizão entre a oposição e as dezenas de deputados que orbitam em torno de Eduardo Cunha , presidente da Câmara afastado no último dia 5.
Aliado a isso, alguns assuntos polêmicos rompem os obstáculos de eventuais lealdades a diretrizes partidárias.
Por fim, pt rede e psol, derrotados com a saída de dilma, prometem oposição aguerrida a um governo que consideram golpista e sem legitimidade. Pt é pc do b.
EntreBit
Postado por: Ygor I. Mendes