domingo, 20 de julho de 2014

247 – A “Folha de S. Paulo” disparou seu primeiro petardo contra o presidenciável tucano Aécio Neves. Na manchete da edição deste domingo, o jornal de Otavio Frias acusa Aécio, então governador de Minas Gerais, de ter construído com verba pública aeroporto de quase R$ 14 milhões em terras de seus parentes, em seu segundo mandato.
Construído no município de Cláudio, a 150 km de Belo Horizonte, o empreendimento ficou pronto em outubro de 2010 e seria administrado por Múcio Guimarães Tolentino, tio-avô do senador e ex-prefeito de Cláudio.
De acordo com a publicação, para pousar no local, é preciso pedir autorização aos filhos de Múcio. Segundo um dos filhos de Múcio, Fernando Tolentino, seu primo Aécio Neves usa o aeroporto "seis ou sete vezes" por ano, em visita a cidade ou a Fazenda da Mata, a 6 km do aeroporto. Aécio nega irregularidades e diz que obra atendeu a critérios técnicos (leia aqui).

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Dilma soma 36%, Aécio, 20%, e Campos, 8%, diz pesquisa Datafolha

Na pesquisa anterior, Dilma tinha 38%, Aécio, 20%, e Campos, 9%.
Instituto ouviu 5.377 eleitores; margem de erro é de dois pontos percentuais.

Do G1, em Brasília
Pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (17) mostra Dilma Rousseff (PT) com 36% das intenções de voto para presidente, seguida de Aécio Neves (PSDB), com 20%, e Eduardo Campos (PSB), com 8%. No levantamento anterior do Datafolha, realizado nos últimos dias 1º e 2, Dilma tinha 38%, Aécio, 20%, e Eduardo Campos, 9%.
Somados, os adversários de Dilma acumulam 36%, mesmo percentual da presidente, que tenta a reeleição. Um candidato vence a eleição no primeiro turno se consegue mais votos que a soma de todos os rivais.
A pesquisa é a primeira realizada após o início oficial da campanha eleitoral, no último dia 6. Desde essa data, candidatos têm autorização da Justiça Eleitoral para realizar comícios, propaganda na rua e na internet, entre outras atividades de campanha. O horário eleitoral gratuito no rádio e na TV começa em 19 de agosto.
O percentual de entrevistados que disseram não saber em quem votar ou que não responderam passou de 11% no começo do mês para 14% agora. Brancos e nulos eram 13%, percentual que se manteve. O quarto colocado na pesquisa, pastor Everaldo (PSC), aparece com 3% das intenções de voto; no levantamento anterior, tinha 4%.
Veja os números do Datafolha na pesquisa estimulada (em que a relação dos candidatos é apresentada ao entrevistado):

- Dilma Rousseff (PT): 36%
- Aécio Neves (PSDB): 20%
- Eduardo Campos (PSB): 8%
- Pastor Everaldo (PSC): 3%
- José Maria (PSTU): 1%
- Eduardo Jorge (PV): 1%
- Luciana Genro (PSOL): 1%
- Rui Costa Pimenta (PCO): 1%
- Eymael (PSDC): 1%
- Levy Fidelix (PRTB): 0%
- Mauro Iasi (PCB): 0%
- Brancos/nulos/nenhum: 13%
- Não sabe: 14%
Segundo turno
Nas simulações de segundo turno, o Datafolha avaliou os seguintes cenários:
- Dilma Rousseff: 44%
- Aécio Neves: 40%
- Brancos ou nulos: 10%
- Não sabem: 5%
- Dilma Rousseff: 45%
- Eduardo Campos: 38%
- Brancos ou nulos: 11%
- Não sabem: 6%
Rejeição
A presidente Dilma tem a maior taxa de rejeição (percentual dos que disseram que não votam em um candidato de jeito nenhum). Confira abaixo:
- Dilma Roussef: 35%
- Pastor Everaldo: 18%
- Aécio Neves: 17%
- Zé Maria: 16%
- Eymael e Levy Fidelix: 14%
- Eduardo Campos e Rui Costa: 12%
- Luciana Genro, Mauro Iasi e Eduardo Jorge: 11%
- Não rejeitam ninguém: 11%
- Rejeitam todos: 6%
- Não sabem: 11%
O levantamento foi encomendado pela TV Globo e pelo jornal "Folha de S.Paulo". O Datafolha ouviu 5.377 eleitores em 223 municípios na terça (15) e na quarta (16). A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%. Isso quer dizer que o instituto tem 95% de certeza de que os resultados obtidos estão dentro da margem de erro.
A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR00219/2014.
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quinta-feira, 17 de julho de 2014

Eleições de outubro contam com 24 mil candidatos, 11 à Presidência da República

16/7/2014 13:58
Por Redação - de Brasília

A Coalizão Democrática pela Reforma Política e Eleições Limpas, movimento do qual a União Nacional dos Estudantes (UNE)
A Coalizão Democrática pela Reforma Política e Eleições Limpas, movimento do qual a União Nacional dos Estudantes (UNE)
No dia 5 de outubro, 141,8 milhões de eleitores irão às urnas no primeiro turno do pleito geral para a escolha de deputados estaduais, federais, senadores, governadores e do presidente da República. A estimativa é que 24 mil candidatos concorram a todas as vagas em disputa.
Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), houve crescimento de 4,43% no número de eleitores aptos a votar em outubro. Nas eleições gerais de 2010, 135,8 milhões de cidadãos foram às urnas. O balanço final com o número do eleitorado e das candidaturas deve ser divulgado no dia 21 de julho.
Uma das novidades para o pleito deste ano será o voto por meio da biometria. Em outubro, 23,3 milhões de eleitores serão identificados por meio da digital. Na eleição passada, a biometria foi usada para a identificação de 1,1 milhão de pessoas.
O prazo para registro das candidaturas terminou no dia 5 de julho. O TSE recebeu 11 pedidos de registros de candidatos à Presidência da República. Juntos, eles estimam gastar R$ 916,7 milhões durante a campanha eleitoral.
Serão candidatos ao Palácio do Planalto nestas eleições: Aécio Neves (PSDB); Dilma Rousseff (PT), candidata à reeleição; Eduardo Campos (PSB); Eduardo Jorge (PV); Eymael (PSDC); Levy Fidelix (PRTB); Luciana Genro (PSOL); Mauro Iasi (PCB); Pastor Everaldo (PSC); Rui Costa Pimenta (PCO) e Zé Maria (PSTU).
Dilma presidenta
Em busca do segundo mandato, a presidenta Dilma Rousseff e seu partido, o PT, renovaram a coligação com o PMDB, mantendo o atual vice-presidente Michel Temer na chapa. Sete partidos fazem parte da coligação Com a Força do Povo: PDT, PCdoB, PR, PP, PRB, PROS e PSD.
Mineira de Belo Horizonte, Dilma tem 66 anos e viveu grande parte de sua vida no Rio Grande do Sul, onde participou da criação do PDT, foi secretária municipal de Fazeda e estadual de Minas e Energia. Em Brasília, antes de chegar à Presidência da República, foi ministra de Minas e Energia (2003-2005) e da Casa Civil (2005-2010).
Durante o regime militar, Dilma integrou organizações de esquerda, como o Comando de Libertação Nacional (Colina) e a Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares). Passou quase três anos presa entre 1970 e 1972 e foi torturada nesse período por órgãos da repressão. Foi casada durante mais de 30 anos com o advogado Carlos Araújo, pai de sua única filha, Paula.
Além de enfatizar os avanços econômicos e sociais dos últimos 12 anos, o programa da coligação estabelece o chamado Novo Ciclo de Mudanças, que inclui propostas de estímulo à competitividade produtiva. Para isso, deve-se reduzir a burocracia estatal, com a modernização de sistemas e criação de cadastros únicos que exijam menos documentos de empresas e empreendedores. Outra meta é universalizar o Simples Nacional e concluir o processo de implantação da Rede Nacional para a Simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e Negócios (Redesim).
Para melhorias na produtividade, a proposta prevê modernização do parque industrial brasileiro, melhoria no ambiente de negócios e maior capacitação das empresas com qualificação da mão de obra; simplificação tributária e manutenção e expansão de programas que exigem conteúdo local para fornecimento ao governo e estímulo ao conhecimento por meio da interação entre empresas, instituições de pesquisa e cientistas.
Na educação, o programa prevê, a partir de 2016, a universalização do ensino para todas as crianças a partir dos quatro anos de idade; ampliação da rede de educação integral para que atinja 20% da rede pública até 2018; criação do Pacto Nacional pela Melhoria do Ensino Médio e o oferecimento de 100 mil bolsas do Programa Ciência Sem Fronteiras até 2018, além de mudanças curriculares e na gestão das escolas. A meta inclui a valorização dos professores e a criação de 12 milhões de vagas para cursos técnicos até 2015.
Na Saúde, a candidata propõe expandir o Programa Mais Médicos, aumentar o número de Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e universalizar a cobertura do Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu), atualmente está disponível para 73% da população.
O programa de Dilma prevê também a universalização do acesso à internet, barata e de qualidade, o estímulo a parcerias público-privadas para obras de infraestrutura e mais 137 mil ligações de energia elétrica do Programa Luz para Todos até 2018. Seu compromisso com a democratização da mídia, no entanto, foi suprimido do programa de governo
Programa tucano
Mineiro de Belo Horizonte, o candidato do PSDB à Presidência da República, o senador Aécio Neves, tem 54 anos. Neto do ex-presidente eleito Tancredo Neves, ele se formou em economia pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, aos 24 anos e hoje é pai de três filhos. O primeiro contato com a política ocorreu em 1981, quando aceitou o convite do avô para trabalhar na campanha para o governo de Minas Gerais e, depois, pela Presidência da República.
Ao lado do também senador Aloysio Nunes (SP) – candidato à vice-presidente na chapa -, Aécio promete mudanças “radicais” na condução do governo e uma maior aproximação com a população brasileira. Entre as diretrizes anunciadas, lideram, como prioridades, maior clareza nas regras e no controle de gastos em investimentos de infraestrutura, reformas dos serviços públicos, da segurança e as reformas política e tributária e a defesa da independência dos poderes.
A lista de objetivos também prevê melhorias de serviços em áreas como saúde e educação, com o cumprimento das metas do Plano Nacional de Educação (PNE). Ele promete ainda manter programas implantados pelo atual governo, como o Bolsa Família.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Brics estruturam fundo de US$ 10 bilhões além da reserva de emergência 10 vezes maior

15/7/2014 13:20
Por Redação - de Fortaleza

As bandeiras dos países que integram os Brics foram desfraldadas em Fortaleza
As bandeiras dos países que integram os Brics foram desfraldadas em Fortaleza
O grupo dos Brics está considerando iniciar um fundo conjunto de infraestrutura com capital de cerca de US$ 10 bilhões, disse uma fonte próxima às discussões à agência inglesa de notícias Reuters, nesta terça-feira. O fundo, que está sendo negociado e poderá se tornar operacional no próximo encontro dos Brics na Rússia, seria inicialmente financiado por fundos soberanos do Brasil, Índia, China, Rússia e África do Sul.
Posteriormente, o fundo poderia permitir a participação de fundos soberanos de outros países, disse a fonte, que pediu anonimato. O fundo não deve ser confundido com uma reserva de emergência de US$ 100 bilhões que os cinco países dos Brics estruturam durante reunião do grupo, em Fortaleza, para socorrer países em dificuldades financeiras.
Países em desenvolvimento
A China, integrante do grupo, vai se dedicar a “aperfeiçoar” o papel que os países em desenvolvimento desempenham em assuntos internacionais para lhes dar melhor representação e maior voz, afirmou o presidente Xi Jinping antes da reunião dos Brics, nesta manhã. A China já começou a fazer isso ao promover bancos de desenvolvimento internacional que ou serão liderados pela China ou terão uma participação chinesa bastante forte, em oposição a instituições dominadas pelo Ocidente como o Banco Mundial.
Brasil, China, Índia, Rússia e África do Sul devem assinar nesta terça-feira um acordo para o lançamento de um novo banco de desenvolvimento. Autoridades dos Brics disseram que Xangai deve ser a sede, mas uma autoridade envolvida nas negociações afirmou à Reuters na segunda-feira que ainda não há acordo entre os cinco países sobre a localização.
A China também está planejando um Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura.
Governança
Xi, em entrevista com a imprensa sul-americana divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores, afirmou que a China tentará desempenhar melhor o papel de importante potência responsável e promover os direitos do mundo em desenvolvimento.
– Vamos nos dedicar a aperfeiçoar o sistema internacional de governança e pressionar proativamente pela expansão da representação e direito de falar pelos países em desenvolvimento em assuntos internacionais. Vamos apresentar mais propostas chinesas e contribuir com a sabedoria da China – disse ele.
Mas a China enfrenta grandes suspeitas sobre seus motivos, e também há preocupações dentro dos Brics de que o país pode se aproveitar do novo banco para servir a seus próprios interesses. Xi aparentemente descartou essas preocupações, afirmando que a China não acredita que está destinada a dominar outros só por causa de sua crescente força.
Na última semana, o vice-ministro chinês das Relações Exteriores, Li Baodong, afirmou que o “momento é propício” para a criação do novo banco, que será um “marco no atual sistema monetário internacional, dominado pelos Estados Unidos e pela Europa”.
Trata-se de uma referência ao fato de que o banco poderia ser uma alternativa ao Banco Mundial, uma organização tradicionalmente dirigida por um representante norte-americano, enquanto que o Fundo Monetário Internacional (FMI) tradicionalmente é controlado por um representante europeu.
O presidente do Banco Mundial, o sul-coreano-americano Jim Yong Kim, também se mostrou favorável a iniciativa de criação do banco dos Brics, que não considera como uma “ameaça”, mas como um aliado na “batalha contra a pobreza” e no “estímulo ao crescimento”.
– O tamanho do investimento não é tão grande comparado com investimentos feitos na China. Mas esse é apenas o capital inicial. O banco vai atrair outros depósitos e crescer 10 vezes ou 20 vezes, se tornando forte e constituindo uma saída para a China e para outras economias – prevê Wong.
No futuro, outras nações como México, Turquia, Nigéria e Indonésia também poderão se tornar parceiras do projeto.



terça-feira, 15 de julho de 2014

Queda de Felipão abre espaço para reestruturação na seleção

Rio de Janeiro - O futuro técnico da seleção brasileira tem que representar reformulação e modernidade. Esse é o desejo da cúpula da CBF, que decidiu não manter Luiz Felipe Scolari. Segundo interlocutores de José Maria Marin, presidente da Confederação Brasileira, e Marco Polo Del Nero, eleito para sucedê-lo a partir de abril do ano que vem, a dupla ainda não tem um nome preferido para assumir o time nacional.
Tite, ventilado nos últimos dias, é visto com reserva pelos cartolas da CBF. A avaliação inicial é de que ele não representa modernidade e que o ex-corintiano faz parte da escola gaúcha, em baixa após a atuação de Felipão nesta Copa do Mundo. Por enquanto, não existe a intenção de trazer um técnico estrangeiro. A análise é de que a medida sofreria rejeição por parte da imprensa e da torcida.
A ideia, de acordo com interlocutor dos dois dirigentes, é ouvir a opinião de formadores de opinião antes de definir o novo nome. A CBF quer um técnico que tenha aprovação popular. Por isso, não há expectativa de que a definição aconteça rapidamente. Segundo os cartolas ainda não há um nome de consenso para assumir a equipe nacional.
Mais do que simplesmente trocar a comissão técnica, os dirigentes querem promover uma reestruturação profunda na seleção brasileira. A palavra de ordem é definir uma nova filosofia de trabalho no time nacional. Nesse cenário, a volta de um diretor de seleções está em pauta. O cargo foi criado por Ricardo Teixeira para Andrés Sanchez e desativado após a saída dele, já durante a administração Marin.
Desde a derrota por 7 a 1 para a Alemanha, a direção da entidade também fala em reformular as categorias de base da seleção. Antes do vexame contra a Alemanha, Alexandre Gallo era tido como o nome certo para comandar as equipes inferiores. As duas últimas derrotas colocaram em dúvida também o trabalho do atual coordenador da base, que atuou como observador dos adversários da seleção na Copa do Mundo.

 

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Dilma exalta pontos econômicos marcados durante sua gestão na Presidência

12/7/2014 15:29
Por Redação, com Reuters - do Rio de Janeiro

Dilma conversou com a jornalista Renata Lo Prete, em entrevista na noite passada
Dilma conversou com a jornalista Renata Lo Prete, em entrevista na noite passada

Prestes a concluir seu mandato e diante de uma concorrida disputa para a reeleição, a presidenta Dilma Rousseff mostrou otimismo sobre um novo ciclo de desenvolvimento e apostou na retomada da atividade econômica em entrevista ao canal de TV por assinatura GloboNews, de propriedade das Organizações Globo, exibida na noite passada. Para Dilma, esse novo ciclo estará centrado na competitividade e também em investimentos em infraestrutura, além de incluir um fortalecimento da educação e da inovação.
– É um ciclo que vai apostar na competitividade produtiva. Nós vamos ter de investir pesadamente em infraestrutura com parcerias público-privadas, só através do investimento privado – como é o caso das concessões – ou com investimentos públicos. É uma combinação de tudo – sinalizou.
As concessões foram uma aposta já de seu mandato atual, mas o governo enfrentou mais dificuldades do que imaginava e não conseguiu dar andamento a tudo que planejara. Ainda assim, mesmo após o fracasso inicial do leilão da BR 262, para o qual não houve interessados, o governo conseguiu desde a metade do ano passado leiloar seis lotes de rodovias . Também já foram concedidos à iniciativa privada seis aeroportos, incluídos nesta lista os terminais de Guarulhos, em São Paulo, e do Galeão, no Rio de Janeiro.
Em outras áreas, porém, as concessões patinam, caso das ferrovias e dos portos, em que o governo ainda não conseguiu fazer nenhum leilão. O governo também enfrenta dificuldades em relação à inflação, constantemente beirando o limite da meta do governo – de 4,5% mais 2 pontos percentuais no ano –, o que acabou levando o Banco Central a elevar os juros, depois de um esforço do governo para que a taxa básica Selic pudesse cair a mínimas históricas. Isso tudo, para Dilma, não pode ser analisado sem que seja considerado o contexto da crise internacional.
– O que eu acho terrível no Brasil é que alguém possa supor que possamos ter um comportamento de crescimento econômico compatível com outro momento internacional. Nós não somos uma ilha, esses efeitos nos atingem – disse, referindo-se à crise.
A persistência da crise, argumentou a presidente, afetou o ritmo de crescimento da maioria das nações. Para os críticos da política econômica do governo, porém, parte do problema foi decorrente do fato de o governo ter insistido com remédios que foram perdendo sua eficácia, como os estímulos ao consumo.
Dilma acredita que o país está “num processo de construção da retomada” e tem “todas as condições para ter uma taxa de crescimento maior do que essa que nós temos nos últimos anos” e aposta na exploração de petróleo, principalmente o da camada do pré-sal, como um importante fator de impulso no médio e longo prazos.
A presidenta ressaltou a boa situação do mercado de trabalho no Brasil, comparando as taxas de desemprego registradas em outros países com a criação de vagas aqui. Mas reconheceu que o ritmo de crescimento do emprego deve se estabilizar, “porque chegamos a um nível próximo do pleno emprego”, disse.
Em diversos momentos da entrevista, Dilma não poupou críticas ao que considera um sentimento de pessimismo, creditando a ele, inclusive, parte do fraco desempenho da economia.
– Ninguém, em nenhum país do mundo, consegue manter um crescimento efetivo com um estímulo sistemático, e eu não sei a que interesses isso beneficia, de que vai haver uma crise – afirmou.
Dilma também rebateu as críticas às ações do governo sobre o setor elétrico. Segundo ela, não há chance de haver um apagão.
– Racionamento de energia não vai ter. Nós fizemos um planejamento, garantimos a expansão – disse a presidenta, justificando ainda que o uso de termelétricas, algo que encarece o preço final da energia, é necessário quando há poucas chuvas e está previsto no sistema energético brasileiro.
Pouco explorado durante todo seu mandato, a presidente também voltou suas atenções para um problema que assola o país ao longo de sua história: a burocracia. Abordado em seu discurso de lançamento da candidatura à reeleição, Dilma voltou ao tema na entrevista, reforçando o destaque que deverá ter durante sua campanha eleitoral. Para ela, não há como dar um “salto”para um novo ciclo de desenvolvimento sem eliminar os “ranços” da burocracia.
‘Mal feitos’
Reconhecida pela ‘faxina’ promovida no primeiro ano de seu governo após denúncias de irregularidades em alguns ministérios, o que ajudou a impulsionar sua popularidade naquele momento, Dilma voltou a defender o fortalecimento de instituições, como a Polícia Federal e órgãos de controle, para o combate à corrupção. Mas, no ano passado, importantes ex-dirigentes de seu partido, o PT, foram condenados à prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF), após o longo e polêmico julgamento do chamado escândalo do ‘mensalão’, que teve ampla cobertura pela mídia conservadora. Dilma, no entanto, partiu em defesa do partido na entrevista:
– É certo que nenhum partido está acima de qualquer suspeita. O PT contribuiu muito, com muito avanço para a democracia no Brasil, para a redução da desigualdade e para a redução da pobreza. O que não é possível é só tratar o PT como sendo o PT que criou a corrupção no Brasil. Vão me desculpar!
O ‘mensalão’, como ficou conhecido o que o STF definiu como um esquema de compra de apoio parlamentar durante o primeiro mandato de Lula, gerou a perda de apoio entre muitos petistas e simpatizantes, mas não impediu a reeleição de Lula em 2006 e a eleição de Dilma quatro anos depois. Depois disso, porém, houve o julgamento e as prisões e não é fácil medir qual pode ser o impacto dos fatos na atual campanha.
Mas o que concretamente abalou o favoritismo de Dilma à reeleição foram as enormes manifestações populares que tomaram as ruas das principais cidades brasileiras em junho do ano passado. Embora não direcionadas diretamente contra a presidenta e sim por melhorias nos serviços públicos, entre outras reivindicações, elas atingiram em cheio a petista.
Dilma lidera a disputa, segundo as pesquisas eleitorais, mas tudo indica que a eleição deverá ser decidida em um provável segundo turno contra o candidato do PSDB, senador Aécio Neves. Em resposta à tamanha mobilização popular, Dilma propôs a realização de uma reforma política, construída a partir de uma consulta popular.
A presidenta também voltou a defender a necessidade da participação popular, outro ponto que, pelas indicações que vem passando, deverá abordar com frequência durante sua campanha. Quanto à democratização da mídia, porém, Dilma sequer tocou no assunto.
Sobre a relação com seu antecessor, muitas vezes procurado por políticos e empresários que encontram dificuldades no trânsito com a presidente, Dilma afirmou que ter Lula a seu lado “é uma vantagem”.
– Para mim, os conselhos do presidente Lula são muito bem-vindos. Ninguém vai conseguir me afastar ou diminuir a força da relação com o presidente Lula – disse, afastando qualquer possibilidade de tensão com o ex-presidente, que mantém um nível de popularidade bem superior ao dela.

domingo, 13 de julho de 2014

Brasil despreza perdão da torcida, perde outra e sai da Copa vaiado

William Correia, enviado especial Brasília (DF) 

O dono da festa saiu dela envergonhado. A Seleção Brasileira, que imaginava poder ser hexacampeã na Copa do Mundo que sedia, não conseguiu nem manter o perdão que recebeu da torcida neste sábado. O time montado por Luiz Felipe Scolari foi incapaz de terminar o torneio com o terceiro lugar e voltou a ter motivo para indignar quem esteve no Mané Garrincha ao perder da Holanda por 3 a 0 neste sábado.
A torcida que foi gritou “pentacampeão” e aplaudiu a equipe no início do jogo, só não desculpando Felipão pela humilhante derrota por 7 a 1 para a Alemanha na semifinal. Mas acabou ampliando a vaia para todos que vestiam verde e amarelo no gramado e percebeu que, sem nada a comemorar no presente, foi necessário recorrer ao passado, terminando o Mundial lembrando que só Pelé fez mil gols. Jô, substituto do criticado Fred em Brasília, não está nem chegará perto disso na carreira. Os novos motivos para protestos não demoraram a aparecer. Antes dos dois minutos, o Brasil não tinha conseguido dominar a bola quando Robben venceu disputa pelo alto e tabelou com Van Persie para ser agarrado perto da área por Thiago Silva. Como nada dá certo para os anfitriões, o árbitro deu pênalti, que Van Persie converteu. Ainda no primeiro tempo, David Luiz tentou afastar cruzamento de De Guzmán, em posição duvidosa, e acabou ajeitando para Blind, completamente livre, fazer 2 a 0 aos 16 minutos. A partir daí, o que se viu foi mais uma atuação vexatória pela qualidade dos comandados de Scolari, que ainda sofreram o terceiro gol nos instantes finais da partida. Não foi humilhante como uma goleada, mas serão raros os brasileiros que não saíram do estádio nesta noite sem se sentir envergonhado.
Djalma Vassão/Gazeta Press
Torcida demonstrou apoio e teve mais uma decepção na despedida da Seleção da Copa do Mundo
O jogo – Antes do apito inicial, os torcedores que estiveram no Mané Garrincha só não perdoaram Felipão, e o técnico resolveu poupar muitos dos que passaram vergonha no Mineirão na terça-feira. Dante, Marcelo, Fernandinho, Bernard, Hulk e Fred ficaram no banco. Além da volta de Thiago Silva, após cumprir suspensão, Maxwell pôde, enfim, estrear em um Mundial, com Paulinho, Ramires, Willian e Jô completando a lista de novidades.A Holanda, por sua vez, ficou desfalcada já no aquecimento, quando Sneijder sentiu dores na coxa direita. Mas, contra o Brasil, o time laranja não precisava de seu camisa 10. Mesmo o marcador De Guzmán, que entrou no seu lugar, e o contestado Clasie eram suficientes para dar suporte a Robben e Van Persie na briga pelo terceiro lugar. Os europeus deram a saída de bola e, durante um minuto, o Brasil só tocou na bola em duas cabeçadas de David Luiz para a lateral. Até que o goleiro Cillessen deu um chutão que Robben desviou de cabeça e logo correu para Van Persie o colocar livre em direção à grande área. Thiago Silva precisou agarrá-lo, fora da área, e o árbitro viu pênalti, mas abriu mão de expulsar o capitão brasileiro por impedir uma clara chance de gol. Van Persie converteu. A facilidade que Robben teve no lance foi resultado do desespero da Seleção, frágil também psicologicamente, em marcar a saída de bola. Com o gol sofrido, o Brasil só aumentou a apreensão e quase empatou quando Oscar cruzou e Jô e Ramires não alcançaram na pequena área. Mas o 3-5-2 holandês logo controlou o jogo e passou a marcar os donos da casa em seu campo. Oscar se mexia entre as intermediárias, buscava o jogo, mas errava ao procurar Maxwell. Além de não marcar bem, o lateral esquerdo provou por que ainda não tinha atuado na Copa, errando tudo na frente. Maicon resolveu ser opção do outro lado para ajudar Ramires e, assim, deu a Holanda tudo que ela queria. Os comandados de Louis Van Gaal trocaram passes envolvendo quase todos os seus jogadores aos 16 minutos até que Robben lançou De Guzmán, em posição duvidosa, para cruzar na pequena área. David Luiz quis afastar de cabeça, mas ajeitou para o canhoto Blind, completamente desmarcado na marca do pênalti, dominar e ter tempo de ajeitar o corpo para balançar as redes chutando de direita.
Djalma Vassão/Gazeta Press
Robben levou ampla vantagem sobre os marcadores brasileiros no estádio Mané Garrincha
A primeira reação ao medo de outro vexame se deu em David Luiz, tido como líder do elenco e que, como já tinha tentado fazer com o alemão Thomas Muller no Mineirão, também buscou agredir um adversário neste sábado. No Mané Garrincha, o alvo foi o holandês Clasie, que recebeu uma tesoura. Mas o zagueiro brasileiro, mesmo descontrolado, era também o único a acionar o ataque, mas sem qualidade, com chutões para frente.A partir dos 20 minutos do primeiro tempo, as vaias foram aparecendo e crescendo, embora parte do estádio ainda tentasse apoiar. Mas era inútil. Até o zagueiro De Vrij ia ao ataque e driblava quem quisesse, como quisesse. Assim, De Guzmán ainda levou perigo em finalização aos 29. Antes do fim do primeiro tempo, Maxweel provou que também pode ser perigoso para o adversário ao dar cotovelada acidental que fez a cabeça de Kuyt sangrar. O Brasil, ao menos, não levou cinco gols em 29 minutos, como na terça-feira. Uma possível evolução, mas insuficiente para impedir que as vaias tomassem conta do Mané Garrincha no intervalo. Felipão quis dar mais dinâmica ao time, trocando Luiz Gustavo por Fernandinho, mas o volante só apareceu cometendo faltas. Tentou, então, Hernanes no lugar de Paulinho, e mais uma vez viu alguém sair de seu banco de reservas nervoso demais e acertando canelas. O Brasil não conseguiu nem se aproveitar do cansaço de um adversário que, diferentemente do anfitrião, jogou 30 minutos de prorrogação um dia após o vexame verde e amarelo. Hulk foi a última tentativa de Scolari dar a torcida, ao menos, um gol. O brasileiro, na verdade, espera que tenha sido a sua derradeira substituição como técnico da Seleção. No último minuto do tempo regulamentar, a seleção holandesa chegou ao terceiro gol. Janmaat recebeu de Robben pela direita e cruzou para conclusão certeira de Wijnaldum. O técnico Louis Van Gaal ainda tirou o goleiro Cillessen nos acréscimos para dar ao reserva Vorm o gosto de vencer em campo os inofensivos donos da casa.