quinta-feira, 4 de junho de 2015

Réu confesso, Hawilla colabora com o FBI desde o final de 2013

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Um dos principais pivôs da investigação sobre a Fifa, o empresário paulista José Hawilla colabora com o FBI (polícia federal norte-americana) desde o final de 2013.
A partir daí, ele passou a usar grampo em conversas com outros envolvidos em esquemas de pagamento de propina e lavagem de dinheiro ligados a contratos de futebol, incluindo o então presidente da CBF, José Maria Marin, que está preso na Suíça há uma semana.
A Folha apurou que abordagem do FBI ocorreu logo após o próprio Hawilla, 71, ter sido gravado por outro envolvido. Em dezembro, ao final de cerca de um ano de colaboração, ele formalizou um acordo com Justiça pelo qual se declara réu confesso e se compromete a pagar US$ 151 milhões (cerca de R$ 473 milhões), dos quais o empresário já depositou US$ 25 milhões (R$ 78 milhões).
Hawilla é fundador e dono da Traffic, a maior empresa de marketing esportivo da América Latina. Seus negócios incluem também a TV TEM, afiliada da Rede Globo que transmite para 318 municípios do interior paulista.
Segundo reportagem recente do jornal "Miami Herald", em abril do ano passado, o empresário gravou até uma conversa com Aaron Davidson, presidente da Traffic USA, filial da sua empresa nos EUA. Davidson também foi indiciado.
Além de Hawilla, ao menos outro réu confesso, o ex-membro do comitê executivo da Fifa Chuck Blazer, concordou em gravar conversas para o FBI sobre propina, segundo o "New York Times".
A conversa obtida pelo FBI entre Hawilla e Marin ocorreu em abril do ano passado, em Miami. Parte do diálogo é reproduzido textualmente na acusação da Justiça divulgada na última quarta (27/5), dia em que houve a prisão de sete dirigentes da Fifa na Suíça.
O assunto entre eles era a distribuição do pagamento anual de R$ 2 milhões de propina relacionada aos direitos de transmissão da Copa do Brasil, torneio que é disputado desde 1989.
Sempre de acordo com a investigação americana, Marin sugere que o seu antecessor, Ricardo Teixeira, deveria parar de receber. A divisão a partir dali só seria entre ele e Marco Polo Del Nero, que assumiu a CBF neste ano.
Teixeira e Del Nero não são citados nominalmente na acusação, mas aparecem, respectivamente, como "coconspirador 11" e "coconspirador 12". Hawilla, por sua vez, aparece como "coconspirador 2".
O diálogo em poder do FBI é este, em tradução livre: "Em determinado momento, quando [Hawilla] perguntou se era realmente necessário continuar pagando propinas para seu antecessor na presidência da CBF, Marin disse: 'Está na hora de vir na nossa direção. Verdade ou não?'.
"[Hawilla] concordou dizendo: "Claro, claro, claro. Esse dinheiro tinha de ser dado a você [ou vocês]'. Marin concordou: "É isso".
Após a prisão de Marin e a revelação do teor da investigação, Del Nero deixou o congresso da Fifa na Suíça e voltou às pressas para o Brasil.
OUTRO LADO
Procurado pela Folha, o advogado de Hawilla, José Luis de Oliveira Lima, disse que não comentaria o caso.
Georg Friedli, advogado de Marin, ex-presidente da CBF que está preso, também não falou sobre a investigação.
O atual presidente da CBF, Del Nero nega que seja o "coconspirador 12".
Também procurado pela reportagem, Teixeira não se pronunciou sobre o caso

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